Unicentro produz etanol a partir de licores contrabandeados
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sábado, 05 de março de 2011
Maigue Gueths <br> Equipe da FOLHA 
Curitiba - Há aproximadamente oito meses, um veículo da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), em Guarapuava, vem sendo abastecido com etanol produzido pela própria instituição, a partir da destilação de licores contrabandeados apreendidos em cinco delegacias da Receita Federal. O processo também garante autonomia da universidade em álcool para limpeza e álcool em gel, além de matéria-prima para o Laboratório de Produtos da instituição.
Transformar a bebida em combustível foi uma das soluções encontradas pela Agência de Inovação Tecnológica da Unicentro. Há pouco mais de dois anos, ela foi procurada pela Receita, com o desafio de que encontrasse um destino correto, sob o ponto de vista do meio ambiente, para as bebidas destiladas contrabandeadas e apreendidas pelo órgão. Até então, a mercadoria era simplesmente espalhada no chão e triturada por tratores. Com isso, o líquido se infiltrava no solo, contaminando o lençol freático, e o vidro acabava sendo levado para aterros sanitários.
O professor de Química Maico Cunha, coordenador do setor de projetos da Agência, conta que os testes começaram há pouco mais de dois anos. O processo utilizado é semelhante ao das grandes usinas de álcool, mas adaptado às condições e necessidades da Unicentro. Ele explica que, para separar o álcool, é usado um processo físico-químico de destilação contínua, que separa o licor em um sistema de colunas de destilação fracionada. Em um campo da coluna fica a fase alcoólica, em outro resta o licor, que é rico em açucares e coran-tes, explica.
O teor alcoólico das bebidas processadas, em geral de 4% a 40%, é que vai determinar a qualidade do álcool obtido, ou seja, se será usado como álcool de limpeza, álcool gel ou combustível. O licor resultante em umA das colunas, segundo ele, também tem um destino, como fertilizante, o que ainda é objeto de estudos pelo setor de Agronomia da universidade. Os resíduos sólidos, por sua vez, são encaminhados para reciclagem.
De acordo com o professor, a importância do projeto está no âmbito social e ecológico. Ele acredita que financeiramente os custos de produção própria do álcool são os mesmos com os que a universidade teria com a aquisição desses produtos. Só em álcool de limpeza, por exemplo, ele calcula que a instituição utiliza cerca de 4 mil litros por ano, quantidade que vem sendo suprida por esse processo. Hoje a Unicentro processa cerca de 1 mil litros de licor alcoólico por semana, o que resulta em aproximadamente 200 litros de álcool.
Inicialmente, apenas um veículo Logan está sendo abastecido com o etanol proveniente das bebidas, para avaliar questões como consumo e resposta do sistema de injeção do veículo. Os resultados até o momento são muito promissores, não há diferença de consumo com relação ao etanol industrial. Também não detectamos nenhum problema no funcionamento do veículo, diz ele, que acredita que em breve será possível atender outros automóveis da universidade.


