Unicamp estuda pára-choque seguro
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 1998
Agência Estado 
Os números exatos são difíceis de obter no Brasil, mas uma equipe de três pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp ( http://www.fem.unicamp.br), estima em 15 mil as mortes causadas anualmente por acidentes em que os carros batem na traseira de caminhões. Uma boa porcentagem destas mortes poderia ser evitada com o uso de equipamentos de segurança na traseira dos caminhões, acabando com o chamado efeito guilhotina, isto é, o carro é rasgado pela carroceria do caminhão na altura da cabeça do motorista e passageiros.
Os pesquisadores da Unicamp trabalham há pouco mais de um ano no Projeto Impacto (http://www.cte.unicamp.br/impact), com a colaboração da Mercedes-Benz e da General Motors. O objetivo é desenhar e desenvolver pára-choques traseiros padronizados para os caminhões, que efetivamente previnam o efeito guilhotina. O primeiro equipamento proposto pela Unicamp é articulado, deve ficar a 400 mm do solo e alinhado com a traseira do caminhão. A legislação vigente permite a instalação do pára-choque a uma altura de 550 mm do solo e até 400 mm para dentro da carroceria. Ou seja, quando o carro toca no pára-choque já entrou 400 mm embaixo do caminhão.
A alegação dos caminhoneiros é de que um pára-choque mais baixo vai bater nas lombadas e buracos das estradas, diz José Ricardo Mariolani, da Unicamp. Por isso desenhamos um pára-choque articulado, que abre para trás se bater numa lombada, mas não entra se for atingido por um carro.
Outra grande diferença do novo equipamento é a resistência do material. Pela legislação vigente, o pára-choque traseiro deve suportar 10 toneladas na longarina, 2,5 no centro e 2,5 nas pontas. A proposta da Unicamp é de 15 toneladas na longarina, 10 no centro e 10 nas pontas. Não fizemos um equipamento com material diferente, foi com aço comum, mas com uma estrutura que permita muito mais resistência ao impacto, explica Mariolani.
Os pesquisadores do Projeto Impacto alertam para o fato de muitos pára-choques nem atenderem à legislação, sendo construídos com materiais mais fracos e/ou estarem instalados acima da altura média dos carros. Com isso, facilita-se a progressão do carro para debaixo da carroceria do caminhão em vez de impedi-los. Em geral, o carro chega mesmo a funcionar como uma cunha e até levanta o caminhão do chão, esmagando seus ocupantes.
Nos testes conduzidos pela equipe, por exemplo, um pequeno Corsa, a 50 quilômetros por hora, levantou 15 centímetros a traseira de um caminhão de 10 toneladas, devido a este efeito cunha. E ainda há uma agravante, alertam os pesquisadores: Num acidente real o motorista freia bruscamente o carro, abaixando ainda mais a frente do capô e facilitando a penetração por debaixo do pára-choque do caminhão.
O Projeto Impacto prossegue estudando e testando outras alternativas, como o pára-choque-conceito. Feito de cabos de aço, ele se provou eficiente em colisões a 64 quilômetros por hora. Eles também esperam sensibilizar as autoridades e a sociedade para a importância e urgência da adoção de medidas mais rigorosas de segurança, que incluem ainda a correta iluminação das traseiras dos caminhões e a educação dos caminhoneiros.
Mais informações sobre os testes e as recomendações através dos telefones (019) 788-7284 ou do endereço eletrônicos [email protected].


