União aumenta especulações
A união entre a Volvo Automóveis e a Ford, menos de um mês depois da fusão Daimler-Chrysler, vem sendo motivo de especulações no setor automotivo, principalmente sobre o futuro dos quatro construtores europeus: Renault, Peugeot-Citroen (PSA), Fiat e Volkswagen, segundo os analistas.
Destes quatro, apenas o alemão Volkswagen, que possui quatro modelos populares (Volkswagen, Audi, Seat e Skoda) e os de luxo (Rolls Royce, Bugatti, Lamborghini, Bentley) parece fora de perigo, já que produz quatro milhões de veículos por ano, o mínimo necessário para continuar independente, segundo os analistas.
Os outros três, que produzem menos de três milhões de unidades ao ano, são, em diversos graus, alvos ou participantes potenciais de futuras fusões, estima um analista do setor automobilístico de um banco francês.
A operação Volvo-Ford põe em evidência a fragilidade na capitalização em bolsa dos construtores franceses, 20% do total do faturamento proveniente do PSA e um pouco mais de 25% da Renault, observou.
Não sei se isto vai acelerar as consolidações, mas se tem que acontecer alguma coisa, os franceses não são nada caros, acrescentou, destacando que a Ford adquiriu a Volvo por 50% de seu faturamento (leia-se US$ 6,45 bilhões).
Jacques Nasser, diretor da Ford, Tuve Johannesson, da Ford-Volvo e Leif Johansson, da Volvo, durante conferência de imprensa em Goteburg, SuéciaNum primeiro tempo, a operação Volvo-Ford favorecerá a consolidação do setor de veículos de carga pesados na Europa, que poderia, devido ao efeito dominó, afetar o setor automobilístico, observa.
A Volvo - que possui cerca de 1% do mercado mundial do automóvel, uma das menores divisões deste grupo - quer utilizar seus novos lucros para comprar o concorrente sueco Scania.
Os dois teriam 30% do mercado de caminhões europeus e disputariam a primazia com a Mercedes, o que obrigatoriamente situaria a Renault VI (11%-12% do mercado), filial da Renault, em situação incômoda, acrescentou o analista.
Philippe Barrier, do banco Société Générale, mostra-se mais prudente: Daimler-Chrysler e Ford-Volvo são dois grandes matrimônios transatlânticos em menos de um ano, mas as duas situações eram diferentes. A Volvo não podia ficar sozinha, na qualidade de último construtor especializado por não ter condições para isto, destacou.
O mundo do automóvel esteve abalado nas últimas semanas por rumores os mais insuspeitos. No começo de janeiro, no salão do automóvel da cidade norte-americana de Detroit (norte) circulou rumores sobre uma próxima aliança entre Ford, BMW e Honda, que emanava de fonte próxima da direção da Ford.
Na Europa, a Renault confirmou semana passada que tinha intenção de chegar a acordos com parceiros na Ásia e que negociava com o japonês Nissan. Mas enfrenta a concorrência do novo gigante germano-norte-americano Daimler-Chrysler, que quer por um pé na Ásia.
A Fiat, que tinha uma contra-oferta para ficar com todo o grupo Volvo, terá que encontrar outra solução, destaca um analista.
O anúncio da sexta-feira (22/01) dos resultados preliminares do grupo italiano em 1998 será estudado com uma lupa. Trata-se da primeira mensagem aos acionistas do novo presidente, Paolo Fresco, no cargo há quatro meses, destaca um analista. Depois de três anos de lucros, o construtor italiano registra maus resultados na Itália e se tornou mais frágil com a crise brasileira.
Na bolsa de Milão, o título Fiat caiu fortemente na última quinta-feira, depois do anúncio da compra da Volvo pela Ford. Os papéis da Renault e da PSA aumentaram mais de 5% cada um no começo da tarde.
O grupo Volvo emprega mais de 70.000 pessoas no mundo, delas 40.000 na Suécia.DivulgaçãoO modelo S 80 é o automóvel topo de linha da Volvo e o último lançamento da marca sueca a chegar no mercadoFrance Presse





