Curitiba - Em 1947, quando o mundo ainda se recuperava da Segunda Guerra Mundial, um concessionário holandês da então nascente Volkswagen, chamado Ben Pon, criou um veículo que, ao lado do popular Fusca, se espalhou pelo mundo e faz sucesso há inúmeras gerações, atraindo admiradores de diversas classes sociais, idades e estilos de vida: a Kombi. Lançado oficialmente na Alemanha em 1949, o modelo inaugurou, oito anos depois, a linha de produção brasileira da Volkswagen, sendo mantido em linha desde então, com pouquíssimas mudanças na carroceria e motorização.
Em resumo, essa é a história da simpática senhora que segue conquistando corações ao redor do país, como os dos integrantes do Kombi Clube Curitiba, que promoveram, domingo passado, um encontro entre colecionadores do modelo, em comemoração ao 53º aniversário da fabricação nacional. Com cerca de 40 Kombis presentes, de uma veterana 1958 até a luxuosa versão Carat, de 2004, o encontro reuniu quase todos os modelos já produzidas no Brasil, em versões de passageiros, picapes cabines simples e dupla e furgão, movidas a gasolina, álcool ou diesel, algumas vindas de cidades distantes, como as catarinenses Florianópolis e Blumenau. A rigor, faltou apenas a rara versão seis portas.
A paixão pela respeitável senhora não tem idade nem motivo específico para acontecer. No caso do representante comercial Alessandro Melo, ela veio como se fosse uma onda. Surfista, o jovem de 22 anos escolheu a Kombi como seu carro pela clara identificação do modelo com o estilo de vida californiano, consagrado nos filmes dos anos 60 e 70. ''Eu sempre gostei dessa ligação da Kombi com a Califórnia e resolvi que queria ter uma para mim. Descobri esta aqui em Marechal Cândido Rondon, viajei até lá e só depois de comprar é que eu fui dirigir uma Kombi pela primeira vez. Foi engraçado porque eu demorei um tempão para sair do pátio da loja porque não sabia engatar a ré e depois tomei um susto com o freio, que pede algumas ''bombadas'' para começar a funcionar'', conta Melo, que até tatuou seu carro no braço.
Já para o propagandista Marco Cesar Caron, 47 anos, o modelo resgata os tempos de infância, quando a família toda viajava para Morretes na Kombi que pertencia a seu pai. ''Ele usava a dele para trabalhar e nos finais de semana levava a gente para tomar banho de rio. A minha, que é uma 1971, eu fiz do jeito que eu gostaria que fosse a do meu pai'', conta Caron, que investiu cerca de R$ 30 mil na compra e restauração de seu xodó, que só sai de casa em dias ensolarados.
Dono do único modelo do encontro a ostentar a placa preta, de uso autorizado apenas para carros quase originais, José David dos Reis, 59 anos, é um apaixonado por carros antigos em geral - é dono também de um DKW Belcar, uma Lambretta e dois caminhões -, mas não esconde o carinho pela Kombi. ''Eu comprei esta aqui, que é uma 1975, de um senhor que a usava apenas para transportar professores em Apucarana. Por isso ela estava praticamente original. Na vistoria para obter a placa preta, é preciso ter no mínimo 80% de originalidade e eu consegui 92%'', conta, orgulhoso, o colecionador, que conversava animadamente com outros proprietários, trocando informações e buscando as peças que ainda faltam para deixar sua Kombi exatamente como no dia em que deixou a fábrica.

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