Uma reunião de medalhões
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sábado, 01 de março de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
Veículos que fizeram história em épocas variadas e por motivos diversos. Grandes nomes da indústria automobilística brasileira das décadas de 1950 a 1990 reunidos no mesmo local ao dispor dos amantes de carros antigos. Não se trata de um encontro de colecionadores, nem de uma exposição temporária, mas do pátio da revenda Super Auto, em Londrina. É nele que os donos dessas raridades deixam seus veículos, aos cuidados de Dorivaldo Marinho Santana, responsável por apresentá-los e, quem sabe, vendê-los.
Marinho começou a trabalhar na revenda cerca de oito anos atrás. Há seis, com a morte do antigo patrão, alugou o espaço e passou a proprietário. "Os carros são consignados, os donos pagam mensalidade e a revenda fica com uma porcentagem de comissão pelo negócio", detalha. No pátio, 35 medalhões, como Maverick, Fusca, Landau, Opala, Itamaraty e Impala dividem espaço com raridades como MP Lafer e um Chevrolet 1928.
Os valores de comercialização variam entre R$ 12 mil e R$ 70 mil e não pense que fechar um negócio seja coisa tão simples quanto o proprietário gostaria. "Já aconteceu de vendermos 20 carros em um ano, mas é raro. Quando vendo um por mês tenho que comemorar", conta.
E a reportagem da FOLHA chegou em um bom dia, logo após a venda de um Impala vermelho 1961 por R$ 55 mil. De acordo com Marinho, o público da revenda é bastante específico. "São pessoas estabilizadas, de alta renda, colecionadores mesmo", diz ele, sem, no entanto, revelar detalhes sobre o comprador do Impala. Segundo Marinho, a cada dez carros vendidos pela Super Auto, oito são para pessoas de fora de Londrina.
Na revenda, alguns veículos preservam 80% de originalidade; outros, apenas a carcaça, mas já incluem ar-condicionado e todo o conforto de um carro novo. Há, também, os totalmente originais, como um Ford Landau 1980 e uma caminhonete Ford F1 1951. Um dos modelos preferidos do dono da revenda, a picape, de cor verde, foi desenvolvida após a Segunda Guerra Mundial e deu um salto no design do segmento na época, com para-brisa inteiriço, para-lamas incorporados à dianteira e grade cromada entre os faróis. No interior, os bancos são pretos de camurça. O motor 6 cilindros rende 101 cv e a picape carrega até 500 quilos. Certamente, serviu a muitos fazendeiros do passado.
O Landau é sinônimo de luxo. A revenda conta com dois, um preto e um azul claro, este original. Suas dimensões impressionam desde a primeira olhada, além do comprimento (5,37 m), a largura (1,99 m) é fora do comum. Seus bancos traseiros inteiriços, na cor cinza, acomodam, confortavelmente, três adultos. Crianças, acomodariam quatro, sem dúvida. A "grandeza" se estende ao tanque, de generosos 107 litros. O motor é o mesmo do Maverick, um V8 199 cv.
Além da limpeza externa das relíquias, a Super Auto pode oferecer pouco aos donos dos veículos atualmente, já que o mecânico responsável pelos consertos faleceu e não é tarefa fácil encontrar no mercado outro especialista. "Eles (antigos) são mais difíceis de cuidar que os carros novos", constata Marinho. Questionado sobre o porquê de continuar nesse negócio, ele não titubeia: "É difícil mexer com isso, mas eu gosto e acho que vou ficar um bom tempo ainda".
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