Uma Lambretta para Roxana
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domingo, 03 de novembro de 2013
Vinícius Fonseca<br> Reportagem Local 
Fazer parte de uma família de colecionadores sem nunca ter conseguido ter seu próprio veículo. Essa situação "incomodava" a comerciante Roxana Marselle Acaldi até pouco tempo atrás. Casada há 20 anos com o colecionador Edivaldo Acaldi, filho do atual presidente do Clube do Carro Antigo de Londrina (CCAL), Pedro Acaldi, ela conta que em 1999 chegou a ter uma F100 1958, mas nunca concluiu a reforma. "Eles sempre colecionaram. Meu marido tem um Cadillac (Eldorado), mas quando eu tive não cheguei a concluir a reforma. Sempre que um automóvel ou outro veículo chega até meu sogro ele espera a restauração e depois vende", relata ela, antes de falar da Lambretta LI 150, 1960, motocicleta que Roxana impediu a venda. "Foram quase cinco anos de restauração e, quando a Lambretta ficou pronta, o proibi de vender e disse que seria minha", conta.
A beleza da LI 150 foi determinante para que a comerciante escolhesse a motocicleta. Mesclando um azul piscina com branco, a Lambretta impressiona e passa longe de parecer uma "senhora" de 53 anos.
O ano agrega muito valor a ela, um vez que 1960 marca o ano em que o farol dianteiro vinha em um lugar mais alto e se movia com o auxílio dos guidões. Antes, o farol era preso à estrutura da Scooter dificultando muito a vida de seu ocupante, já que o facho de luz permanecia em linha reta mesmo durante as curvas, criando pontos cegos. O número 150 presente no nome do veículo faz referência às cilindradas, além disso remete às quatro marchas da Lambretta.
Apesar de preservar as peças e ter cuidado inclusive com os detalhes como os pneus faixa branca os primeiros aro 10 da Lambretta que em versões anteriores chegou a usar aro 8 , a Scooter de Roxana traz uma série de itens que não eram comuns às LI 150. Um exemplo é o para-brisa que remete às motocicletas policiais e o cesto na parte interna do veículo facilitando carregar objetos. "As peças foram chegando e meu marido colocando uma a uma. No começo achei que não daria certo, mas com o tempo ela ficou linda. Escolhi a Lambretta porque, embora seja aparentemente simples, ela é muito charmosa e essa cor a deixa ainda melhor", aponta.
Roxana avisa que uma outra Lambretta (Pasco 1965) está sendo reformada e ambas devem permanecer na família por um longo tempo, já que a ideia é deixá-las como herança para os filhos, Fabrício e Nicolas, de 13 e 10 anos, respectivamente.
Apesar do amor demonstrado pelo veículo, existe ainda um fato curioso sobre Roxana. Ela não costuma pilotar a Lambretta e a missão acaba ficando para o marido Edivaldo. "Ainda bem que o piloto é bom", brinca ele.
Participativo no processo de restauração, Edivaldo conta que as dificuldades apareceram na hora de exportar peças do exterior, como os pneus. Apesar disso, o colecionador garante que foi um trabalho compensador. "Somos suspeitos para falar, mas ela não ficou linda?", pergunta.


