Carlópolis - Na Praça Coronel Leite, bem em frente à matriz dedicada ao Bom Jesus da Cana Verde, em Carlópolis, município de 13,7 mil habitantes no Norte Pioneiro do Paraná; uma taxista sempre sorridente estaciona o seu carro todos os dias. Há 49 anos Unice Yoshitani, 75, leva passageiros pelas ruas da simpática cidade - que fica às margens do imenso reservatório da Usina Hidrelétrica de Chavantes - e pelas estradas da região.
Nascida em Agudos, no interior de São Paulo, ela chegou ao Paraná na década de 1950, depois de se casar com o cerealista Massamishi Yoshitani, morto em 1986. A carteira de habilitação conquistou em 1962, quatro anos depois passando à categoria C, necessária na época para uso profissional. Na atividade de taxista iniciou quase por acaso, levando moças de Carlópolis para estudar na faculdade de Jacarezinho, distante 78 km, a bordo de um Chevrolet Coupé 1947.
''De segunda a sexta eu levava as meninas e de sábado e domingo colocava o carro na praça, enfrentando um enorme preconceito machista. Assim, passei a ser taxista. Mas na verdade eu queria mesmo ser caminhoneira. O marido não deixou'', recorda Unice, hoje concorrendo com outros 21 colegas na pequena cidade. O preconceito passou, ela garante. ''Agora é tudo tranquilo. Todos me respeitam. Às vezes alguma discussão acontece entre a gente; nada fora do normal.''
Pela quantidade de troféus que Unice guarda em casa, os quais lhe conferem o título de melhor taxista da cidade, precebe-se que o preconceito passa mesmo longe de seu táxi. Ao longo dos anos, formou boa clientela; especialmente entre a grande colônia de descendentes de japoneses que há em Carlópolis. Nos áureos tempos da imigração de dekasseguis para o Japão, era comum que ela fizesse corridas de quase 400 km até o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, levando ou buscando imigrantes do Norte Pioneiro. ''Hoje as crianças não me deixam fazer uma viagem tão longa. Então, meus clientes descem no aeroporto de Londrina, onde os busco'', comenta. As crianças a que ela se refere são os dois filhos, Aírton e Tânia, de 57 e 41 anos.
Em Carlópolis, não há radiotáxi nem fila de espera dos carros nos pontos. O freguês é que escolhe com quem vai andar.
Quando a conversa passa a ser sobre carros, a nossa personagem mostra que entende do assunto, garantindo-se na mecânica básica. Para trocar pneus, nunca necessitou de ajuda. Já teve Kombi, Fiat 147 - um dos que mais gostou, ''por incrível que pareça'', como a própria diz - e muitos outros modelos até chegar ao atual Chevrolet Agile, definidos pela experiente motorista como ''um carrão''.
E como é ser taxista durante tantos anos, dona Unice? ''É uma profissão muito interessante. Todos os dias, converso com gente boa. Se eu não tivesse feito esse trabalho, não teria conhecido tantos lugares'', comenta. Para constar, ele só aceita corridas de conhecidos.
Finalizando, ela não deixa passar, estamos falando também de uma pescadora de primeira categoria. As fotos e a geladeira cheia de peixes calam aqueles que duvidam. Unice ainda é habilidosa nas artes do crochê e tricô, produzindo bonitas peças no tempo livre entre uma corrida e outra. Contudo, ela se destaca para valer na arte de cativar. Sempre de bem com a vida, não passa mais de minuto sem exibir um agradável sorriso.

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