Um Willys que desperta paixões
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sábado, 26 de junho de 2010
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Ribeirão do Pinhal - ''Meu carro é vermelho, não uso espelho para me pentear'', o popular trecho inicial da canção ''Ele é o bom'', que fez sucesso na década de 60, hoje se aplica bem a um Jeep Willys ano 52 que dá o ar de sua graça nas ruas de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de jacarezinho) e também nas trilhas da região.
Achar o automóvel na cidadezinha de aproximadamente 14 mil habitantes parecia uma missão fácil para nossa equipe que tirou um pedaço da tarde para localizar um apaixonado por carro antigo. Logo chegamos ao cartorário Francisco Wanderley Corrales, que nos atendeu prontamente, mas logo avisou que precisaria de uns ''minutinhos'' para deixar tudo em ordem.
Quando chegamos em sua casa, na avenida principal da cidade, avistamos uma espécie de rural que embora antiga, nos pareceu menos atraente do que a propaganda feita pelo proprietário. A partir daquele momento uma pergunta se abateu sobre nossa equipe: ''Será que vai rolar?''.
Corrales prontamente nos convidou para entrar e foi até o fundo da garagem, onde lá estava o ''Senhor Willys'' cheio de coisas jogadas dentro dele e com cara de que não daria conta do recado. No entanto, quando ficou pronto para ser usado o jipe respondeu na primeira a partida dada pelo dono e o seu motor original mostrou toda a sua potência e a reportagem começava a se tornar algo fascinante.
O cartorário conta que comprou o jipe em 78, quando ele já era considerado antigo para encarar as trilhas há caminho das pescarias com o grupo de amigos, mas com o tempo a paixão foi tanta que essa relação mudou. ''Queríamos comprar um jipe e esse - apesar de já ter 26 anos na época - estava em boas condições de uso'', explica. ''Hoje eu sou um apaixonado, falou que é carro antigo, falou com a pessoa certa'', garante.
Quase 32 anos depois da compra do veículo, Corrales conta que manteve as suas principais peças intactas e só deu um ''tapa'' na pintura, hoje um vermelho com detalhes em laranja que realçam a presença do jipe por onde passa. ''Alguns amigos disseram que essa cor poderia não ficar boa, mas depois de pronto todo mundo elogiou'', conta.
Os cuidados com o ''senhor'' de 58 anos é encarado com prazer pelo cartorário, que tenta passar isso inclusive para seus filhos. ''Cuidar dele é como cuidar de um carro novo, só que você tem o prazer de estar restaurando até para passar isso para os filhos'', diz ele. A boa aparência do Willys não é interessante apenas para Corrales, mas conforme ele mesmo indica desperta a curiosidade das pessoas na rua. ''Todo mundo para para olhar pelo chamariz que ele tem'', salienta.
Diversão e amizade
A relação entre o cartorário e o jipe já dura 32 anos. Hoje o já grisalho senhor era apenas um garotão quando comprou o automóvel junto com um grupo de amigos para enfrentar as estradas de terra que levam aos rios existentes na região. ''Não nos importávamos com a idade do carro, mas sabíamos que tinha que ser um jipe'', revela.
O Willys 52 trouxe também novos amigos a Corrales: os aficionados por carros antigos. ''A gente realiza alguns encontros para trocar experiências e posso dizer que antes do jipe eu me divertia, mas hoje me divirto muito mais'', garante.
Diversão para toda a família, as trilhas feitas de carona no veículo servem segundo Corrales para unir os familiares e também para realizar alguns projetos beneficentes, como a ''Trilha da Solidariedade'', organizado por um grupo de jipeiros da cidade. ''No fim do ano enchemos os jipes de cestas básicas e passamos pelos distritos rurais e doamos tudo o que foi arrecadado'', comenta.
Com dois filhos, um de 15 e outro de 19 anos, o cartorário chama de ''troféu'' a possibilidade de ensinar a seus meninos a ter uma diversão sadia passando a eles o gosto pelos cuidados com o carro. Após mais de três décadas com a ''caranga'' na garagem, Corrales comenta que quando o carro foi para uma reforma, onde fez a pintura e instalou bancos mais confortáveis foram os seis meses mais difíceis de sua vida. ''Você olha para a garagem e parece que está faltando alguma coisa''. Ele conta que já recebeu várias propostas para vender o Willys ano 52, mas que isso não acontecerá pois nem imagina sua vida sem o jipe. ''Esse vai ficar para os filhos, não vou me desfazer dele nunca'', garante.


