Um senhor com pinta de menino
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sábado, 09 de março de 2013
Vinícius Fonseca<BR>Reportagem Local 
Até onde a paixão por carros antigos pode levar um indivíduo? No caso do comerciante José Carlos Fiths o levou a desfazer um negócio com o qual poderia ganhar uma bolada de dinheiro.
Morador de Arapongas, ele conta que há quase 15 anos, quando ainda residia em Curitiba, mantinha uma loja de compra e venda de veículos. Na época, uma senhora, dona de um Ford 1929 já um tanto deteriorado pelas marcas do tempo, apareceu na revenda com a intenção de comercializar o veículo. Mesmo sabendo da existência de interessados por antigomobilismo na capital paranaense, ele preferiu comprar o automóvel para uso próprio. "Sempre fui apaixonado por carros antigos e quando vi esse aqui, senti que era minha chance de realizar um sonho", justifica.
No modelo picape, o Ford 1929 foge completamente do estilo convencional desse que foi um dos maiores sucessos da marca e que hoje é tão cultuado por colecionadores e admiradores de máquinas antigas.
O automóvel chama mesmo a atenção e costumeiramente é possível ver pessoas se aproximando para fotos e para contar histórias, conforme aponta o proprietário. Bem cuidado, apesar de ser de 1929, a picape mostra um frescor juvenil. Num vermelho chamativo e com a capota clara, o veículo passou por uma modernização devido a outra paixão do comerciante, a customização de veículos.
"Peguei ele já picape. Parece que a necessidade do antigo dono era carregar mercadorias. Esse carro reformei todo, transformei ele em Hot, alterando toda a mecânica", diz.
Apesar de toda a pinta de um antigo convencional, Fiths garante que "envenenou" o Ford. O motor, por exemplo, é um Ap 1.8 turbo. A caixa de câmbio, com cinco marchas, é a mesma do Chevette, algo que ainda não se pensava nos anos 1920. Para completar a série de mudanças, a suspensão e o diferencial são os mesmos utilizados em Opalas.
Fiths revela que essa "reconstrução" do veículo trouxe mais prazeres do que dores de cabeça. Para conseguir todas as peças, ele se aproveitou do fato de ter um comércio de carros e fez contato com várias pessoas do meio, que aos poucos o ajudaram a montar seu veículo dos sonhos. Apesar dessas facilidades, ele admite que o processo exigiu muita pesquisa.
As rodas também são diferentes do que se pode chamar de convencional: na dianteira, oito polegadas e atrás dez, deixando o Ford com um efeito visual ainda mais interessante. Fiths brinca que para dar uma "cara de época" para o automóvel, alterou até mesmo a caçamba da picape. Originalmente em metal, ele trocou por madeira. "Achei que ficaria mais condizente com a época em que ele foi feito, deixou mais rústico."
Mas o que justificaria todas essas mudanças? Diferente da maioria dos colecionadores e aficionados por antigomobilismo, Fiths garante que carro foi feito para andar e sente a necessidade de vê-lo na rua. "Precisava de conforto para levá-lo para encontros e passear por aí", alega.
As declarações do comerciante parecem apontar uma boa relação dele com o veículo. No entanto, o Fordinho deve passar por novas mudanças em breve. Fiths comenta que ainda não sabe muito bem em que mexer, mas isso será necessário cedo ou tarde, já que apesar da boa aparência, a última grande reforma pela qual o automóvel passou tem pelo menos dez anos.
Cheio de planos para o automóvel, Fiths põe fim às esperanças de quem um dia planejava comprar o seu carro. Para ele, a expectativa é que o Ford possa permanecer sob seus cuidados até o fim da vida.


