Londrina - Quando você passar no vestibular eu te darei um carro. Muitos jovens ouvem, esse tipo de promessa dos pais ou de algum parente, fato que ocorreu com o então postulante a uma cadeira de direito, Marco Ferreira Filho.
Hoje advogado, o rapaz está há cerca de 10 anos com uma Caravan 77, original em sua garagem que como prometido, ganhou de seu pai, mas a relação dele com esse mesmo carro é anterior ao vestibular.
Ferreira Filho conta que a Caravan chegou à família quando ele tinha apenas cinco anos e por isso, acabou desenvolvendo um sentimento de amor pelo veículo. ''Íamos à praia no Rio Grande do Sul e a viagem demorava uns dois dias e passávamos muito tempo no carro, isso marcou minha infância'', relembra o advogado.
No entanto, ele faz questão de dizer, que passeios na praia não foram suas únicas aventuras a bordo da clássica caranga. ''A primeira vez que dirigi, era menor e peguei o carro escondido'', diz. ''Mas, quem é que nunca fez isso?'', questiona rapidamente, buscando uma forma para se justificar.
Ele também preside o Clube Opaleiros Londrina com mais de 30 associados, que aproveitam para trocar informações sobre os veículos ou adquirir e trocar peças para os carros e ainda organizam encontros de carros antigos. Essa iniciativa, segundo ele nasceu graças a Caravan. ''Quando era criança, ajudava meu pai a cuidar do carro e isso fez nascer um amor. Hoje eu guardo o veículo não só porque gosto, mas também pelo valor histórico e familiar que tem''.
Relembrar bons momentos da infância ou dizer que sente prazer em continuar com o carro, traz alegria ao rapaz, mas nem tudo na relação que mantém com a Caravan foi fáci, conforme ele mesmo conta.
Em 1985, quando o carro chegou à família o pai do advogado resolveu reformar o veículo. ''Meu pai foi o segundo dono e quando comprou remodelou para a versão lançada nos anos 1980, que era uma Caravan mais quadrada''. Nessa época, de acordo com Ferreira Filho o fato de o veículo ser espaçoso e com a cara da família pesou no momento da compra.
A Caravan ficou na ativa do ano de que chegou à casa dos Ferreira, até o ano de 1996, depois foi guardada até chegar às mãos do ''novo dono'', logo após o resultado do vestibular. Com as chaves da Caravan, filho resolveu que iria voltar o veículo ao seu modelo original, o que exigiu investimento. ''Quis torná-la novamente uma Caravan 77, mas com o salário de estagiário tive que esperar cinco anos para realizar esse sonho'', revela.
Garimpar lojas de ferro-velho, realizar pesquisas em revistas especializadas, tudo isso foi necessário para mais um momento marcante na vida do advogado envolvendo a Caravan. ''Ela me levou à festa de formatura, essa foi uma sensação inexplicável.''
Caravan 77, versão Deluxe, com quatro cilindros e câmbio de três marchas na coluna, esses e outros detalhes sobre o automóvel, estão na ponta da língua do advogado que já tem planos para o veículo. ''Espero permanecer com o carro e quando tiver um filho passarei para ele'', conclui.

mockup