Vem do Norte Pioneiro um apaixonado por relíquias da indústria automotiva. O comerciante Carlos de Carvalho, de Tomazina, tem quase dez veículos em sua coleção, mas não esconde a preferência pelo Maverick GT 1979. "Faz nove anos que coleciono, é uma coisa de sangue; a gente que é mais antigo gosta de coisa antiga", brinca ele.
Lançado no Brasil em 1973, o Maverick tinha a versão GT como topo da linha. Mais esportiva, ela se destaca externamente pelas faixas laterais pretas, capô e painel traseiro com grafismos pintados em preto fosco, rodas mais largas, e, internamente, um conta-giros sobreposto à coluna de direção do volante. Impossível não se encantar pelo design da relíquia.
Segundo Carvalho, o Maverick amarelo, equipado com motor V8, é seu veículo de passeio, por isso, recebeu equipamento de som "de primeira linha", que inclui uma tela LCD no porta-malas para transmissão de DVDs. Basta abrir a traseira do veículo para dar início a uma festa. Entre outros itens de conforto, o modelo também conta com ar-condicionado, que deixa o ambiente agradável para as aventuras do colecionador.
"Fizemos uma viagem de 5 mil quilômetros nesse carro pela América Latina", relata, orgulhoso da peripécia. Além do conta-giros e do marcador de temperatura originais, no painel, Carvalho incluiu outros dois, logo acima da caixa de câmbio, preservando o estilo retrô e o charme do veículo. As portas são revestidas em couro preto. As faixas pretas nas laterais seguem até a traseira e dentro dela aparece a inscrição da marca Ford.
Confirmando a fama de "beberrão" do Maverick, Carvalho diz que o GT faz entre 6 e 7 quilômetros com um litro de gasolina. É pouco para os dias de hoje e para um carro de uso diário, mas considerando a idade do veículo e seu uso esporádico, aceitável. O gasto para manter um carro com mais de 40 anos de história não assusta o colecionador.
"As peças são caras e difíceis de encontrar, mas se ele não der problema, gasto só com gasolina", afirma. Além disso, o comerciante não costuma colocar esse custo na ponta do lápis. "Paixão não tem preço", justifica.

Lançamento
Lançado em meados dos anos 1960 no mercado americano, em 1969 no Canadá e em 1971 no México, o Ford Maverick surgiu no Brasil no Salão do Automóvel de São Paulo de 1973. "Em sua primeira aparição oficial, veio em duas séries, a básica e a GT (Grã-Turismo), equipada com motor 302 V8 de 197 cv. Esta versão se tornaria, em um curto espaço de tempo, a mais cobiçada, graças à sua esportividade e desempenho", relata Leonardo Almeida, do Maverick Clube de Curitiba.
Segundo Almeida, as mudanças mais marcantes no modelo aconteceram apenas em 1977, quando começou a produção do Ford Maverick denominado fase II. As alterações, em sua maioria externas, incluíram grade, calotas, frisos e lanternas traseiras. Na parte mecânica, houve melhorias no sistema de freios e na suspensão.

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