Stark significa forte em alemão. Poucos veículos atualmente em circulação conseguiram traduzir - perfeitamente - o seu significado. O Stark, lançado no final do ano passado pela Tecnologia Automotiva Catarinense (TAC), conseguiu aliar força e robutez necessárias a um veículo off-road com design diferenciado e conforto, desejáveis para uso urbano.

A reportagem testou o jipe, cedido pelos representantes da marca em Londrina, Aleide Martinelli Casagrande e Renato Prado. A primeira vista a impressão que se tem é que os idealizadores do projeto procuraram aperfeiçoar cada item, cada solução de dirigibilidade, conforto ou segurança existente em um jipe comum. E um desses exemplos é a sua suspensão.

O conjunto todo é independente, o que permite que as quatro rodas fiquem em contato com o solo mesmo em terrenos com irregularidade severa. Além disso, são dois amortecedores por roda, proporcionando firmeza sem abrir mão do conforto aos passageiros. Os eixos também foram posicionados nas extremidades da carroceria, gerando uma boa angulação de ataque e de saída de obstáculos. A carroceria curta é ideal para transpor facilmente os obstáculos.

Outro item importante para quem curte off-road é a altura do veículo com relação ao solo. O jipe tem uma altura mínima livre do solo de 260 milímetros, uma das mais altas do mercado. Aliado a isso, a altura total do veículo é de 1.865 milímetros, tamanho que garante estabilidade nas curvas em trilhas e estradas e que consegue entrada fácil em garagens de edifícios ou cancelas de empreendimentos comerciais com altura mínima.

O chassi tubular é outro diferencial. Reforçado e com resistência mecânica, sendo ainda recoberto por uma carroceria de painéis de plástico de engenharia, ele oferece mais segurança em trilhas, minimizando riscos ao condutor e passageiros. Além disso o motor a diesel - única opção disponível - proporciona força e baixo consumo, o que garante autonomia ao veículo.

O motor é de 2.3L de quatro cilindros e 16V Intercooler Common Rail, fornecido pela FPT - Power Train Tecnologies, do grupo Fiat. É o mesmo que equipa o Ducato e anunciado com boa relação torque x peso. Eletrônico, são 127 cv a 3.600 rpm e 300 Nm (torque) a 1.800 rpm. A direção é hidráulica; o câmbio, manual de cinco marchas, tração nas quatro rodas com marcha reduzida também de transmissão manual e bloqueio na traseira. Os pneus são aro 16.

A carroceria é feita de material composto com resina reforçada com fibra de vidro, proporciona leveza e resistência à corrosão. Utiliza painéis de carroceria (capô, para-choques e para-lamas) em termoplástico ABS de alto impacto, garantindo durabilidade e flexibilidade. Entre os itens de série, que proporcionam conforto no uso urbano, há o sistema antifurto imobilizador integrado à chave, ar-condicionado, porta-objetos, porta-copos, volante com regulagem de altura, os dois quebra-sóis têm espelhos e, no caso, do equipamento do motorista, há uma proteção que o encobre.

Test-drive

Durante o test-drive o Stark foi usado tanto em estradas asfaltadas como na terra. O que se viu foi um veículo ágil na estrada, com bom desempenho, que não enfrenta qualquer dificuldade para atingir uma boa velocidade e com estabilidade nas curvas. Na terra consegue transpor obstáculos facilmente também com boa estabilidade. Talvez o seu único pecado seja o espaço interno. O veículo foi desenvolvido para abrigar quatro pessoas. O banco traseiro é rebatível e, dessa forma, é possível ocupar o espaço com alguma carga no caso de apenas dois ocupantes. O seu preço é R$ 98.780.

Mercado

Por enquanto são apenas três concessionárias no País: São Paulo (capital), Vitória (ES) e Cuiabá (MT), mas o fabricante implantou o sistema de venda direta pela internet. Segundo o gerente comercial Carlos Simal neste ano foram comercializados cerca de 50 veículos. A meta é implantar entre 10 e 12 revendas até o final de 2010 e atingir a comercialização de 50 modelos por mês. Para o próximo ano, a meta sobe para 100 carros/mês.

O projeto teve início há oito anos e incluiu pesquisa com proprietários de veículos do segmento off-road, além de estudos de casos no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa de modelos de montadoras com produção em baixa escala. Para o desenvolvimento do projeto foi investido em softwares 3D e até chegar à linha de montagem em série foram mais de 38 mil horas de pesquisa e desenvolvimento a partir de modelos matemáticos, análise virtual de protótipos e elementos finitos para o dimensionamento dos componentes.

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