Um 'guardador' de tesouros em Ubiratã
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sábado, 24 de julho de 2010
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
O papo começa com o comerciante Edson Roberto Demarco, 41 anos, indo direto ao assunto sobre o seu gosto por carros antigos: ''Não sei como essa 'doença' apareceu, mas com 15 anos eu já mexia com isso''.
Morador de Ubiratã, cidade com 21,5 mil habitantes no Noroeste do Paraná, ele é dono de uma invejável coleção de relíquias, todas guardadas e cuidadas com carinho e capricho em um barracão de 800 metros quadrados construído especialmente para isso.
Filho de um caminhoneiro, Edson começou comprando um Jeep Willys 1951. Conservou, cuidou, restaurou. Quando vendeu, viu que podia comprar outros dois carros já bem usados com o dinheiro. Fez isso. Começava a coleção. ''Há 20 anos, era fácil encontrar Dodges, Mavericks, Opalas para vender. E por bons preços. Hoje, é raro encontrar um desses'', comenta o homem que usa como veículos de trabalho um Opala 1985 e uma Camionete C-10 1972.
Para passeio, ele tem nada menos que uma Chevrolet 3100, uma das camionetes mais bonitas dos anos 1950, que não por acaso, no Brasil ganhou o apelido de ''Martha Rocha'', em homenagem à brasileira que perdeu o título de Miss Universo de 1954, supostamente por duas polegadas a mais nos quadris.
Na ''miss'' que o comerciante mantém em um sua garagem não sobram nem faltam polegadas. Ele a encontrou abandonada em uma fazenda em Tapejara (39 km a leste de Umuarama), em 1992. Apaixonou-se e a levou para casa, fazendo-a brilhar novamente sobre um chassi de S10. O motor é Nissan, diesel, seis cilindros. ''Tem gente que é purista, que só gosta da restauração clássica. Eu trabalho das duas formas. Gosto do clássico, mas às vezes só o 'hot' te dá a segurança necessária para colocar o automóvel na estrada'', comenta Edson.
A prova do quanto ele é eclético está na Kombi 1961, comprada de uma paróquia de Maringá. Bem conservada, ao estilo original, é muito usada para as viagens com a esposa Elizandra e os três filhos, que compartilham do gosto do patriarca.
Ao todo, são 22 carros no barracão de Edson. Alguns prontos para ganhar as ruas, como o Fusca 1968 e um Camaro, fabricado no mesmo ano, um esportivo, de motor V8, que concorria com o Mustang. ''Encontrei esse esportivo bem destruído. Só a lata. Importei peças dos Estados Unidos, como o volante e o carburador, e ele está pronto para andar''. Outros ainda estão à espera da retauração, como o Bel Air 1951, que ele encontrou em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
''Aqui, tenho de tudo um pouco. Conforme vai sendo possível, vou comprando carros antigos para restaurar. Mexer com isso é saudável, prazeroso e permite fazer bons amigos; além de ser um bom aprendizado. Somente com o tempo vamos aprendendo a acertar a mecânica, encontrar boas oportunidades de negócios. Recomendo'', finaliza Edson.


