Um francês mais que simpático
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sábado, 02 de março de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Um automóvel que chama a atenção não por sua potência ou por ser imponente, mas justamente pelo seu design simples e muito simpático. Essa é uma forma de definir o Renault Dauphine, um francês, cheio de estilo, produzido no Brasil pela Willys com autorização da montadora europeia.
Antecessor do Gordini, esse veículo não é encontrado tão facilmente, por isso, coube ao empresário de Arapongas Luiz Luzzi cuidar de um modelo do ano 1963 na cor vermelha, pelo menos nos últimos seis anos. "Sempre gostei de carro antigo e além desse aí tenho outros. Na minha infância me recordo de um senhor que tinha e sempre o admirei", revela.
Para atestar que a Renault autorizou a Willys a tomar conta da produção nacional, Luzzi lembra que a documentação do veículo traz a nomenclatura Ford/Renault Dauphine - vale lembrar que a Willys Overland foi adquirida pela marca de Henry Ford.
Movido à gasolina e com um motor de 800 cilindradas, alocado na parte traseira do automóvel, o "carrinho", atinge, segundo o proprietário, 100 km por hora tranquilamente, mas há algumas regras para tornar isso possível. "Tento evitar chuva, mas sempre que possível saio com ele. Costumo ir à encontros com esse carro sempre que possível", diz.
Apesar da aparência compacta, Luzzi garante que o espaço interno comporta até cinco pessoas confortavelmente. O empresário destaca ainda que o câmbio é de apenas três marchas e que zela para manter a originalidade do automóvel, que no Brasil foi produzido entre os anos de 1958 e 1969.
A história conta que o Dauphine não demorou muito para se tornar popular no mercado nacional por ter um valor relativamente acessível e ser de fácil manutenção. Foi um dos primeiros carros aqui a apresentar uma suspensão independente. No entanto, esse que seria o seu maior destaque foi também seu maior problema.
Projetado originalmente para as rodovias e ruas europeias, o veículo costumava quebrar facilmente devido à má qualidade do asfalto por aqui. Muitas de nossas estradas, inclusive, eram de chão batido. Mesmo com esse ponto negativo, o carisma do "francesinho" venceu o tempo e ficaram as histórias. "Sempre que saio para dar uma volta com ele tenho que sair de perto, caso contrário vou ouvir histórias o dia inteiro", afirma o proprietário.
Luzzi conta que em meio às histórias que costuma ouvir, um termo usado vez por outra chama a atenção. Há quem chame o Dauphine de "sabonete". "Dizem que é por ter esse formato arredondado e sem pontas que acabou ganhando esse apelido na época, mas eu não chamo ele assim não", explica ele.
Apesar de tanto tempo colecionando contos e marcando vidas, vale ressaltar que o Dauphine não faz sucesso apenas entre indivíduos de mais idade que viveram o período em que ele era figura comum nas ruas brasileiras. O empresário garante que o estilo do carro costuma despertar muito o interesse de crianças. "Pelo jeitinho dele, as crianças querem ver de perto o automóvel. Ele é bem popular com esse público também, apesar de ser antigo", conclui.


