Um Ford 1929 bem brasileiro
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sábado, 31 de agosto de 2013
Vinícius Fonseca<br> Reportagem Local 
Um dos carros mais marcantes da história da indústria do automobilismo, o Ford 1929, mesmo com sua mecânica simples, atrai os olhares e a admiração de apaixonados por automóveis, sendo preservado até hoje por muitos colecionadores.
Um desses aficionados pelo popular "baratinha" é o mecânico aposentado José Ruy Saldanha. Ele reconhece, no entanto, que por mais clássico que seja o veículo, algumas alterações foram necessárias para garantir mais conforto e segurança.
O proprietário cita, por exemplo, o motor, que agora é o mesmo utilizado no Opala 1974, ganhando mais força para aguentar a estrada. Cintos de segurança e retrovisores também foram acrescentados no Fordinho. "Mudei essas coisas pensando mesmo em possíveis viagens", conta Saldanha, que vez ou outra participa de encontros de carros antigos.
Por causa das alterações na mecânica, a parte elétrica teve que passar de 6 para 12 volts e, conforme o dono, a manivela, responsável pela partida, foi aposentada totalmente.
Outro detalhe que diferencia o 1929 de Saldanha dos demais automóveis dessa linha é a cor amarela. "Na época em que ele foi criado não pintavam dessa cor. Escolhi porque essa é uma cor que eu gosto. Desde 1985 ele está pintado assim, mas já fiz uma outra pintura na cor verde", recorda o proprietário, que já está com o veículo há cerca de 40 anos.
Para quem vê o Fordinho ao longe, no entanto, a primeira informação visual que chama a atenção, sem dúvida, é a bandeira do Brasil desenhada nas grades do radiador. Uma escolha que, segundo Saldanha, aconteceu sem um motivo específico, mas que ele acredita ressaltar seu patriotismo e ainda dar um charme diferenciado ao seu automóvel.
O Ford 1929 tem mais de oito décadas de existência e por isso Saldanha se vê obrigado a reconhecer que quando adquiriu o automóvel em Cianorte, no Noroeste do Estado, em 1972, o veículo já poderia ser considerado "velho", mesmo assim, a escolha por esse clássico tem uma justificativa.
Ele relata que quando era mecânico, consertava muitos Ford dessa linha e acabou se apaixonando pelo modelo. "Encontrei esse carro em particular pendurado em cavaletes em Cianorte. Sabia que tinha que comprar e fechei o negócio", diz.
Para quem pensa em comprá-lo do aposentado, ele avisa de antemão que não há preço que pague o prazer de ter um Fordinho. Tanto é que uma das propostas recebidas chegou a R$ 50 mil. "Vivi muitas histórias nesse automóvel e não pretendo me desfazer dele de forma alguma", garante.
Disposto a justificar sua escolha por permanecer com o automóvel, quem sabe por toda a vida, Saldanha recorda alguns dos feitos do Ford, como por exemplo, participar de desfiles cívicos e de misses em Maringá (Noroeste), onde ele reside desde menino. "Muita gente conhece o meu Ford aqui. É um carro que chama muita atenção por onde passa", resume.


