Cinco anos antes de inaugurar sua primeira fábrica no Brasil, que começou a funcionar em 1953, em São Paulo, a Ford começou a produzir nos Estados Unidos a linha de caminhões F, que iam do F1, para cargas leves, ao F8, que podia transportar aproximadamente 10 toneladas.
No Brasil, o modelo F6 foi um dos que conquistou a maior simpatia dos homens das boleias. Capaz de carregar sete toneladas, o bravo Ford vencia as precárias estradas da época; a maioria sem asfalto. Os motores eram de seis ou oito cilindros a gasolina, com uma opção a diesel.
Hoje, 63 anos depois de sair da fábrica, um F6, restaurado, circula pelas ruas de Jataizinho (Norte), conduzido por Manoel Luiz Lopes; nascido no mesmo ano de fabricação do caminhão.
A história dos dois é a seguinte: Lopes havia passado parte da infância e da adolescência na cidade que fica na margem direita do Rio Tibagi. Em 1975 foi trabalhar na capital paulista, atuando primeiro como técnico em eletrônica na fábrica da Volkswagen e depois tornando-se mecânico, inaugurando oficina em São Caetano do Sul, no ABC paulista. ''Em 1985 eu decidi aumentar o meu estabelecimento e precisava de um caminhão para puxar cimento. Vim procurar no Paraná e encontrei esse fazendo fretes em Londrina. Comprei.'' Terminada a obra, ele até pensou em se desfazer do F6, vendendo as peças. ''Mas quando comecei a desmontá-lo, vi que tudo era original, até os pequenos parafusos. Aí o coração mandou restaurá-lo'', completa.
O trabalho de restauração demorou cinco anos. Lopes optou por manter detalhes originais aliados a itens de conforto. Instalou ar-condicionado (quente e frio), vidro elétrico e direção e embreagem hidráulicas, além do bom motor a diesel da F-4000. O antigo painel e uma placa de metal, com inscrições em inglês, que dão dicas sobre como engatar as marchas foram mantidos.
''Já recebi oferta gorda de um empresário famoso, mas não vendo o caminhão'', destaca Lopes, ocupado com a organização do 7º Encontro de Carros Antigos de Jataizinho, que acontece no próximo final de semana. Ele realiza o evento desde que resolveu voltar para Jataizinho, deixando a oficina em São Paulo aos cuidados de um parente. ''Quem bebe da água do Tibagi sempre volta'', brinca.
Apaixonado por automóveis antigos, aproveita o tempo livre para se dedicar à restauração. Trabalha atualmente em um Bell-Air 1954 e num Fusca 1973, que está pintando de rosa para a filha Kelly e a esposa Sônia Regina.
Mas o xodó é o F6, que ilustra o cartaz do encontro e serve para sair pela cidade, equipado com caixa de som convidando o povo para a festa dos dias 21 e 22. Aliás, o evento tem caráter histórico, lembrando os 116 anos da morte do frei capuchinho Timóteo de Castelnuovo, que fundou um aldeamento indígena na antiga colônia militar de Jataí, ainda no século 19, antes do início do grande processo colonizador da Companhia de Terras Norte do Paraná que deu origem a Londrina e muitas outras cidades do outro lado do Tibagi.
Serviço - Informações sobre o encontro de carros antigos: www.carrosantigosjataizinho.com.br

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