Um esportivo com estilo
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domingo, 23 de outubro de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Um clássico entre os automóveis, o Karmann Ghia surgiu para ser um esportivo e não demorou para cair no gosto dos apaixonados por automotores. O carro foi uma encomenda da Volkswagen, projetado pelo Studio Ghia (Itália) e construído pela Karmann (Alemanha). Foi considerado o veículo mais caro produzido pela VW na época, por volta da década de 50.
Entre 1962 e 1971, o veículo passou a ser feito também no Brasil em duas versões: a coupet e a conversível. Hoje, atrai olhares por onde passa e desperta o interesse de antigomobilistas. Em Londrina, o dentista Wilson Kobayashi se considera privilegiado por ter um Karmann Ghia ano 1969.
Na cor vermelho grená, bancos em courvin preto, motor 1500 - a mecânica é mesma do Fusca -, o modelo coupet tem freio a tambor, com quatro marchas e chega a 135 quilômetros por hora. Era um sonho de consumo do dentista. ''Ele é esportivo só no nome, pois se você analisar o freio é simples e a velocidade nem é tanta. Mas para a época poderia ser chamado de esportivo'', argumenta.
Charmoso, o automóvel é cheio de detalhes, com madeira trabalhada nos painéis e o nome do carro cravado ali em metal. Assim como em alguns veículos da época, há cinzeiros na lateral dos passageiros. Na frente, os faróis são arredondados e imponentes enquanto os de trás apresentam um formato retangular que auxilia os motoristas a perceberem a presença do Karmam Ghia com antecedência durante a noite e em caso de ultrapassagem.
Outra característica marcante é que o motor é colocado atrás e o bagageiro ganha a frente - sem muito espaço. Aliás, o Karmam Ghia é compacto. ''Na documentação constam cinco passageiros, mas para andar com conforto só se forem dois adultos na frente e três crianças atrás'', brinca ele. O banco traseiro apresenta um fundo falso onde podem ser depositadas mais malas.
Restaurar automóveis de época, geralmente, dá trabalho. E no caso do dentista, conseguir as peças exigiu pesquisa e alguma procura. ''As rodas consegui no Mato Grosso, algumas peças precisei trazer dos Estados Unidos. Fui atrás de Karmam Ghias e de livros para deixar tudo original. A mecânica foi um pouco mais fácil por ser a mesma do Fusca'', revela. O automóvel foi comprado em 2006 e levou cerca de dois anos e meio até ficar pronto.
Kobayashi se define como um amante de clássicos e afirma que, além do Karman Ghia, tem um Dodge Magnum 79 e um Galaxy Landau 76. ''O maior prazer de quem gosta de carro antigo é andar nele. E posso realizar isso com os meus'', diz o dentista, que para ter a coleção precisou convencer a esposa. ''Agora ela já está mais acostumada. Mas o Karmam Ghia, por exemplo, esperei que ela viajasse para trazê-lo para casa.''


