Um clássico na garagem do Abreu
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sábado, 24 de março de 2012
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local
Um lugar cheio de histórias e veículos de época. Assim é o espaço onde funciona a oficina mecânica de Luís Carlos de Abreu, que há cerca de 27 anos se especializou em Mercedes-Benz, mas atende também outras marcas. ''Em Londrina, esta foi a primeira mecânica a mexer com carros importados. Na verdade, lido com Mercedes desde menino e fui buscando conhecer cada vez mais informações sobre os carros da marca'', conta.
Para enfatizar seu aprendizado e vontade de consumir todo material que pudesse acrescentar e contribuir com seu trabalho, Abreu faz questão de mostrar pilhas e mais pilhas de catálogos e livros das mais diversas marcas. Ele ressalta ainda que nos últimos anos tornou-se popular também por preparar relíquias do antigomobilismo. ''Hoje, como faço muitos carros antigos, o material acumulado acaba ajudando. Quando chega um carro aqui de qualquer época posso usar minha biblioteca para encontrar o que preciso'', afirma.
Na lista de automóveis de Abreu estão, além de Mercedes, Dodge, Ford e Volkswagen de época. Ele garante não ser bem um restaurador, mas um reconstrutor de veículos. Por isso, seu trabalho em um único automóvel pode levar anos. ''Às vezes, entro em atrito com colecionadores porque sou detalhista. Ao longo da profissão, tenho mais de cem carros feitos e muitas das peças eu mesmo produzo'', conta.
Entre as próximas relíquias que devem ganhar as ruas sob as mãos de Abreu estão um Puma, um Fusca e - o mais notável deles - uma réplica do Porsche Spyder 550. Segundo ele, todos os veículos já têm destino certo. ''A maioria dos carros eu compro para fazer, mas nem bem ficam prontos e já aparece alguém querendo comprar. Recentemente teve um Candango (automóvel brasileiro produzido pela Vemag, sob licença da fábrica alemã DKW, entre 1958 e 1963) que foi assim. Mas sonho um dia ter minha própria coleção'', afirma.
Ao analisar o histórico do proprietário da Carbens com a marca Mercedes, é possível imaginar que o mecânico possua veículos clássicos da fabricante inglesa. No entanto, o que Abreu guarda com carinho mesmo é um Jeep Ford Willys 1968, que mantém uma série de características originais.
Segundo Abreu, o automóvel preserva mais de 95% de originalidade, mas algumas modificações foram providenciadas visando conforto e adequações às leis de trânsito. Alguns exemplos são a instalação do farol de neblina, do santantônio, do quebra-mato, do estribo e de novos bancos dianteiros.
Embora tenha tudo para ganhar placa preta, o jipe de Abreu não deve passar por isso. ''Tenho ele há 14 anos e gosto mesmo é de usá-lo. Não quero perder esse direito por causa de uma placa preta'', diz, citando o fato de carros com placas pretas só pegarem a estrada para ir a encontros de colecionadores.
Mas, o que leva um apaixonado por Mercedes ter um Jeep Willys? ''Os Mercedes têm a mecânica boa para mexer, mas o Jeep me lembra o tempo da infância em que só esse tipo de carro nos tirava dos atoleiros nas estradas de barro'', justifica, cheio de nostalgia.