Um carro imponente e cheio de classe. Usar esses adjetivos para definir muitos dos automóveis dos anos 50 é redundância, afinal os populares ''anos dourados'' foram responsáveis por estabelecer um estilo que marcou época.
Um dos modelos que melhor representa esse período, o Chevrolet Bel Air é capaz de encher os olhos das pessoas por onde passa. O contabilista José Ancioto Neto pode comprovar o poder do carro, já que há 10 anos tem um exemplar na garagem.
Comprado em Cambé, o Bel Air, 53, precisou de quase dois anos para ser restaurado. Na cor verde metálico com o teto branco, o veículo mantém o máximo de sua originalidade. Conta com motor seis cilindros em linha, câmbio com três marchas mais a ré e o sistema de freio à tambor. ''Comprei o carro em 2002. Câmbio e motor nunca precisaram ser abertos nem na restauração'', garante.
Rico em detalhes em metal, que exaltam o nome do automóvel e do fabricante, o Bel Air também se destaca por seu espaço interno. Ancioto Neto diz que já transportou até oito passageiros. O porta-malas também não deixa a desejar, o que transformou o veículo em um objeto propício para viagens confortáveis.
O painel dá mais um toque de glamour ao modelo. O contabilista fez questão de manter o rádio de época e o relógio marcando a hora precisamente.
Ele relata que há alguns anos foi informado em um encontro da Chevrolet que o modelo do Bel Air que possui é raro no Brasil. Segundo a informação obtida por ele, apenas três automóveis destes teriam desembarcado no País, vindos dos Estados Unidos.
Alguns macetes sobre o automóvel valem a pena ser lembrados. Por exemplo, para ligar o carro ou abrir o tanque de combustível. ''Para ligar é preciso colocar a chave na ignição, só assim o volante destrava, depois é necessário movimentar outras duas chaves que ficam no painel, só aí o carro fica pronto para rodar. O tanque também precisa ser destravado para depois ser aberto'', conta o proprietário.
Mas, como o contabilista chegou a um carro tão belo quanto raro e cheio de detalhes? Ele lembra que o veículo havia pertencido ao avô de sua esposa e acabou sendo vendido por volta de 1980. ''Era um popular carro de praça (táxi) e o avô da minha esposa o comprou em 1955. Ele tinha muito cuidado com o carro, mas precisou vendê-lo porque já estava com uma certa idade'', recorda.
Doze anos depois, em 1992, quando lia uma matéria na FOLHA, Ancioto Neto reconheceu o Bel Air em uma foto. ''Sou assinante da FOLHA e ao abrir o caderno (Carro&Cia) para ler uma matéria sobre as obras do autódromo (Internacional Ayrton Senna) de Londrina vi o automóvel, e descobri que ele continuava com um bancário de Cambé que o havia comprado. Não tive dúvidas e fui atrás'', conta.
De 1992 até concluir o negócio dez anos mais tarde foram diversas ligações, visitas e conversas. ''No dia em que ele (o bancário) topou o negócio, fui buscar o Bel Air e quando cheguei ele me pediu para esperar mais tempo pela documentação. Disse que deixaria o valor, mas levaria o automóvel e que depois ele me mandasse os documentos. Sabia que se o Bel Air ficasse com ele ali o negócio seria desfeito'', acredita.
Hoje o Bel Air já participou de casamentos e foi sondado para a venda várias vezes, mas a resposta de Ancioto Neto sempre é negativa.

Um clássico dos 'anos dourados'
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