Um cinquentão pronto para encarar a estrada
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sábado, 13 de outubro de 2012
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Maringá - Às vezes, por mais que as coisas sejam planejadas, algumas situações de momento forçam uma mudança de planos. A história do caminhão do eletricista automotivo Altair Vandal é um exemplo de como o acaso pode transformar uma vida ou, nesse caso, um veículo.
Membro do Clube dos Amigos Reliqueiros do Norte do Paraná, localizado em Paraíso do Norte, ele conta que quando comprou o caminhão, a ideia era transformá-lo em um modelo cegonha para transportar veículos antigos de colecionadores do município para encontros na região. ''Mudei os planos porque a maioria dos reliqueiros é cuidadoso e tive medo de colocar um carro sobre o outro. Durante uma viagem poderia vazar óleo de um automóvel e manchar a lataria do outro e o que era para ser um favor se tornaria dor de cabeça'', explica.
Originalmente, o caminhão 1957 era um Mercedes LP 312, no entanto o truck amarelo que se vê hoje, todo imponente por feiras e encontros de antigomobilismo, passou por severas alterações mecânicas visando o maior conforto de seus ocupantes e um melhor rendimento na rodovia. Reflexos disso são o câmbio e o diferencial. ''Eles foram alongados e com isso encaram melhor a estrada'', afirma.
O motor, agora, é o do Mercedes 1313. A carenagem também continua sendo da marca, mas é comum aos caminhões 1935. ''Essa alteração na carenagem é que dá a ele essa aparência de um Fórmula Truck'', diz o proprietário.
Mesclando a robustez que popularizou os caminhões dos anos 50 pelas estradas brasileiras - em sua maioria trechos de chão batido -, com a mecânica e tecnologia mais recentes, o Mercedes guarda segredos um tanto futuristas, que chamam a atenção e despertam a curiosidade pelo veículo. Como os freios e o capô a ar. ''Quando o capô levanta nas feiras, revelando o motor, sempre tem quem pare e fique olhando, admirado'', revela.
Embora seja eletricista automotivo, Vandal esclarece que confiou boa parte dos trabalhos de restauração e alterações mecânicas a outros profissionais, assumindo o papel de ''gerente'' no processo. ''Durante a restauração preferi não fazer tudo sozinho, mas acompanhei tudo de perto. Fiz muita pesquisa para deixar o caminhão do jeito que eu queria'', alega.
Vespas na cola
Enaltecendo o valor de seu ''Mercedão'', Vandal afirma que apesar do sonho de fazer dele uma cegonha ter ficado para trás, hoje o truck sempre leva consigo duas Vespas, uma de 1963 na cor rosa e outra 65 azul. ''Foram negócios que apareceram com colecionadores da região. Hoje, embora elas não funcionem, consevam toda a originalidade e cabe ao caminhão fazer o transporte'', comenta.
Com toda a imponência que o caminhão demonstra, levando o eletricista automotivo para encontros e encantando o público, ele adianta: ''Uma venda está fora dos planos, apesar das propostas constantes''.


