Um Chambord para lá de elegante
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sábado, 07 de setembro de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Um automóvel clássico e elegante que circulou pelo País principalmente entre o final dos anos 1950 e quase toda a década de 1960, o Simca Chambord fez muito sucesso no Brasil e até hoje é possível encontrar quem tente preservar um pouco da história do modelo.
A Simca é uma empresa francesa e seu nome, na verdade, é a sigla de Société Industrielle Mécanique et Carrosserie Automobile. De acordo com apaixonados pela marca, a vinda da indústria para o Brasil está diretamente atrelada ao plano de metas do presidente Juscelino Kubitschek, que governou entre 1956 e 1961 e pretendia fortalecer diversos setores econômicos do País para fazer o Brasil crescer 50 anos em cinco.
Membro do Clube do Carro Antigo de Maringá (CCAM), o representante comercial Paulo Cezar zela por um Chambord ano 1964 nas cores vermelho e branco há, aproximadamente, cinco anos. Restaurar essa preciosidade, segundo ele, não foi fácil. "Há muitos anos atrás vários Simcas foram cortados e fica difícil conseguir peças, mas apesar da dificuldade, encontrei todas aqui no Brasil", relata.
Reforçando a dificuldade que teve para deixar tudo como gostaria, o representante comercial lembra que levou cerca de três anos para que todo o processo fosse finalizado. Os frisos, que conferem charme e requinte ao carro, enchendo-o de detalhes, por exemplo, foram conseguidos, em sua maioria, no Rio Grande do Sul.
Para manter o veículo e repor peças, Cezar destaca duas possibilidades mais comuns encontradas por colecionadores da marca atualmente: "Ou se compra de fornecedores que fazem réplicas perfeitas ou se consegue em ferro-velho. É como achar agulha em um palheiro", opina.
Quanto à originalidade de seu veículo, o maringaense lembra que seu Chambord tem quase tudo no mesmo padrão dos Simcas fabricados em 1964. O sistema de suspensão, os freios a tambor e o câmbio na coluna, com suas três marchas, foram reformados e mantidos dentro dos padrões de fábrica.
As únicas alterações significativas feitas no Simca foram no motor, que passou a ser o mesmo utilizado em alguns modelos de Opala, e a adaptação de uma direção hidráulica.
Conforme o proprietário, a mudança na motorização deu um pouco mais de potência ao veículo. O consumo de gasolina, no entanto, é alto, cerca de um litro a cada oito quilômetros. Já os ajustes na parte hidráulica tornaram a direção do carro mais confortável.
Visando a melhor conservação do Simca, o proprietário afirma que evita o excesso de trânsito e também a subida de serras. Apesar desses cuidados, ele garante que o veículo é resistente e já chegou a completar viagens com cerca de 600 quilômetros sem que o Chambord apesentasse defeito.
Para quem, por ventura, questionar a escolha de Cezar em dirigir um carro antigo por longas distâncias, ao invés de optar por carro mais modernos, ele justifica que não se trata de conforto, mas de prazer. "Dirigir um carro antigo é diferente de qualquer outra coisa. O motorista tem que ter atenção redobrada e acaba sendo mais cuidadoso devido às limitações do carro", ensina.


