Marialva - Um carro cheio de história, dos primórdios da indústria automobilística. Assim é o Ford 29 que está sob os cuidados da família Bussele em Marialva (17 km a leste de Maringá) nos últimos 55 anos.
Tudo começou na década de 50 quando o já falecido Antonio Bussele comprou o automóvel e instalou uma carroceria nele para que pudesse trabalhar. O fato de ser seu primeiro veículo e ainda o ajudar no sustento da família o motivou a fazer a promessa de que seu neto primogênito herdaria o Ford. ''Quando eu nasci meu avô já tinha o carro e me incentivou a cuidar e a gostar dele'', conta Alessandro Bussele, o primeiro neto e atual proprietário do carro.
Segundo ele, a única modificação feita no veículo foi a instalação de uma carroceria feita por seu avô, o primeiro dono. As peças são todas originais, inclusive a manivela utilizada para auxiliar na partida do automóvel. Naquela época, os pneus de aros finos eram ideais para percorrer as estradas da região, ainda todas de terra. Com o passar dos anos e a chegada do asfalto, o velho automóvel sempre deu conta de andar nos dois tipos de pista.
''Meu pai ficou muito tempo trabalhando com ele (Ford 29). Enche a gente de orgulho ver o carro funcionando; nunca vai sair da família'', garante Aristides Fernandes, filho do primeiro dono e pai do atual proprietário. O Ford 29 já está passando para a quarta geração no clã dos Bussele. Aristides Fernandes era apenas um garoto quando seu pai apareceu em casa com o veículo e, desde então, são muitas histórias envolvendo o hoje já senhor e o automóvel.
''Viajava com meu pai e posso dizer que aprendi a dirigir nesse carro'', lembra, cheio de nostalgia. Ele tirou a sua carteira de habilitação com a ''ajuda do Ford'', viu seu filho também aprender a dirigir no veículo e aguarda, ansioso, as primeiras ''aceleradas'' de seu neto Leonardo, de 12 anos.
Conhecido na cidade com mais de 34 mil habitantes como o carro dos Bussele o Ford vai se perpetuando ano a ano como o xodó da casa e até mesmo de amigos e conhecidos. ''Alguns amigos do meu pai ainda me perguntam como está o carro e se a gente está cuidando direito dele'', revela Fernandes. Aliás não ver o veículo ou contar com a possibilidade de um dia se desfazer dele é algo fora de cogitação para a família. ''O Ford 29 se tornou 'a cara' da nossa família. Não dá para viver sem ele, só de imaginar já dá um vazio na gente'', salienta Fernandes.
Embora o ''clássico utilitário'' continue despertando a curiosidade e o desejo de muitos apreciadores de carros antigos, o proprietário avisa. ''Tenho um orgulho danado desse carro porque olho pra ele e vejo meu avô. Tanto é que já quiseram comprar, mas eu não vendo'', avisa aos interessados.

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