Cornélio Procópio - Atravessar gerações sob a posse de membros de uma mesma família. Muitos antigomobilistas fazem esse tipo de plano para seus automóveis. Encontrar carros que tenham passado de geração a geração não é muito comum. Nem todo filho tem interesse ou possibilidade de dar sequência ao sonho do pai.
Isso torna um caminhão GMC 1951, em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), algo especial. Em 62 anos de história ele já está na terceira geração da família Pucinelli. ‘’Foi meu avô materno, Agostinho Arrais que o comprou na cidade de Santa Mariana’’, conta Santo Pulcinelli Filho.
Servidor público de carreira, Pulcinelli Filho conta que, tão logo assumiu o cargo no final de 1970, também passou a cuidar do caminhão. ‘’Peguei em agosto de 77 e, desde então, estou com ele. Para um carro de 62 anos, está muito bem e tem muito de sua originalidade conservada’’, gaba-se.
Mesclando azul e preto, o GMC é um ‘’senhor’’ caminhão vindo de Santos (SP) carregando 100 sacas de trigo. Ao todo a caçamba é projetada para transportar 6 mil quilos. O motor seis cilindros é a gasolina e possui 95 cavalos de potência.
Pulcinelli Filho diz que procurou preservar o máximo possível da originalidade do veículo. As únicas alterações significativas estão no estofamento dos bancos trocado há cerca de dois anos, retrovisores. A principal delas foi na parte elétrica do veículo que passou de 6 para 12 volts. A justificativa para a opção está nos custos de manutenção, já que no mercado é muito mais fácil fazer as substituições de peças no sistema 12 volts, além da durabilidade do produto.
Até mesmo os pneus continuam sendo os tradicionais 75.020, costumeiramente utilizados nos caminhões daquela época. Muito forte para os anos 50, o GMC tem um câmbio com 4 marchas mais a ré e, diferente dos modernos caminhões atuais, não preza muito por conforto, embora seja amado por seu proprietário como nenhum outro.
Depois de mais de seis décadas, o caminhão começa a apresentar alguns sinais do tempo e Pulcinelli Filho planeja realizar em breve uma reforma na pintura. ‘’Fazer esse tipo de serviço custa caro, mas penso em fazer uma pintura sim, ainda não sei quando.’.
Um fato curioso do caminhão é que ele tem apenas cerca de 73 mil quilômetros rodados, embora tenha sido utilizado para o trabalho, tanto pelo avô, quando pelo pai de Pulcinelli Filho. O servidor público diz, que apesar de tanto tempo, nunca recebeu proposta pelo caminhão, mas garante que se um dia ela vier a resposta será não. ‘’Minha ideia é que ele possa continuar na família por um longo tempo ainda’’, planeja.

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