'Tuning Girl' leva homens à loucura
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sábado, 16 de abril de 2005
Da Redação 
Não é de agora que as mulheres passaram a apreciar o mundo automobilístico. No volante, na oficina e até mesmo competindo em altas velocidades, elas não deixam de lado a feminilidade.
Na última semana, durante o 1º Salão de Tuning, em São Paulo, uma ''Tuning Girl'' chamou a atenção. A bordo de seu Fiat Palio vermelho adesivado, com neon cor de rosa, pintura no motor, sapos de pelúcia na decoração interna, a modelo fotográfico Sílvia Oliveira se rendeu ao mundo dos automóveis personalizados.
Sempre com roupas de cores chamativas e longas madeixas, a Tuning Girl não parou de dar autógrafos e de mostrar todos os detalhes de seu Palio para o público. A grande sensação é a fumaça que sai de dentro da caixa de rodas dianteiras do carro, produzida por um cilindro de nitro.
Inspirada em uma personagem de vídeo game, Sílvia criou a Tuning Girl. Primeira mulher a entrar na onda de personalização de carros no Brasil, a paixão da modelo paulista por carros vem desde a adolescência. O interesse pelo tuning surgiu em 2003, quando bateu seu Kadett GSI e teve que comprar outro carro. Com o dinheiro do seguro, comprou um Fiat Palio 1.0 vermelho, que já saiu da concessionária com rodas diferentes.
''Meu marido sugeriu que desta vez eu comprasse um carro de mulher. Fiquei tão louca com isso que comecei a pensar no que poderia fazer para deixar o carro do meu jeito. Quando vi o Palio vermelho foi identificação imediata, já mandei trocar as rodas e assim que saiu da loja levei para outra para trocar alguns acessórios'', conta Silvia, que tem três filhos e utiliza seu Palio para as atividades do dia-a-dia, como levar o filho mais novo para a escola.
O tuning entrou em evidência no Brasil em 2001, com o lançamento do filme ''Velozes e Furiosos''. No início, as pessoas só colavam adesivos e trocavam alguns equipamentos. Foi o que Sílvia fez. ''Troquei as rodas e mandei fazer um adesivo de uma tribal de fogo, queria entrar para a turma do tuning de qualquer jeito. Em 2003 participei de dois eventos grandes e em setembro, lançaram o encontro no Sambódromo. Estacionei meu carro e todo mundo ficou olhando e perguntando o que eu estava fazendo ali'', conta Silvia, que no início era a única mulher neste meio e também foi muito hostilizada pelos vendedores de acessórios.
Com os cachês que ganhava trabalhando como modelo fotográfico de detalhes de mãos e pés, Sílvia investiu no carro. Um amigo disse que o adesivo do seu Palio era muito masculino, que deveria colocar uma coisa mais feminina. Foi assim que ela começou a procurar desenhos de bonecas na internet. Nada a agradava até que seu filho sugeriu uma personagem do jogo Final Fantasy.
''Não gostei da personagem que meu filho sugeriu, mas fui pesquisar no site e me identifiquei com a Lulu Dark Pupil, do jogo Final Fantasy para Playstation. É uma garota bonita, exótica, sensual, com um lindo cabelo comprido. Peguei o desenho dela e mandei pintar no motor do carro. Todo mundo começou a perguntar porque eu tinha mandado me desenhar no carro, aí decidi incorporar a personagem'', explica Silvia, que desde então passou a ser chamada pelos colegas de Tuning Girl.
Hoje, Sílvia vive em função do carro e participa de eventos como o Salão do Tuning e a Feira Autosports, com o apoio de alguns patrocinadores. ''Perdi muitas oportunidades de trabalho como modelo, pois toda semana estou envolvida com eventos de tuning. Já briguei com meu marido por causa do carro, mas hoje, o tuning é a minha realização, faço por prazer. Gosto desse contato com o público e faço questão de autografar todos os cartões que distribuo nos eventos'', conta a Tuning Girl.


