A prática de personalizar um veículo é provavelmente quase tão antiga quanto a própria existência dos automóveis. A paixão pelos motores é o motivo mais conhecido para tal prática e conseguir imprimir ao carro alguns aspectos da personalidade de seu dono sempre foi praxe entre os apaixonados. Hoje, esse hábito já dá mostras de pode se transformar em movimento - conhecido como tuning, ou ''ajuste fino''- e os aspirantes a pilotos de Londrina já dão seus primeiros passos.
Ainda é difícil encontrar na cidade carros verdadeiramente tunados - verbo criado para designar a personalização de um veículo - até porque o tuning não consiste somente em acrescentar adesivos ou spoilers, mas sim em promover alterações pessoais tanto estéticas quanto mecânicas no carro. Mas quem já se iniciou no movimento investe forte. Caso do advogado e empresário Fábio Nascimento Paleari, 28 anos, que em um ano já gastou cerca de R$ 30 mil para personalizar seu Golf 1.6 2002.
A lista de modificações é grande: na mecânica, rodas aro 18'', pneus 225/40, troca do chip da injeção eletrônica e instalação de um kit de injeção de óxido nitroso, o famoso nitro. No visual, a pintura e a instalação de spoilers no para-choque e a troca das lanternas traseiras por um conjunto ótico importado da Inglaterra é o que mais chama a atenção. O desempenho muda junto. Todas as modificações fazem com que a potência do carro salte dos originais 105 cv para até 160 cv, e a arrancada de 0 a 100 km/h seja diminuída de 12 para 8 segundos.
Sem dúvida, o nitro é o principal responsável pela melhora na performance. O kit é acionado por um gatilho instalado junto ao pedal do acelerador e injeta o óxido junto com a mistura ar-combustível. Um tanque de sete quilos de nitro pode render até 50 arrancadas de 10 segundos cada. Sua instalação sai por cerca de R$ 1.550,00, segundo Germano Teixeira Filho, da oficina Americar, responsável por todas as personalizações no veículo.
Fábio Paleari conta que, ao começar as modificações em seu Golf, o objetivo era criar uma identidade para o carro. ''Queria que ele ficasse com a minha cara'', diz. Casado, Paleari garante que os gastos com tuning não são censurados pela mulher. ''Ela tem o carro dela e eu tenho o meu''.
Outro grande entusiasta do tuning londrinense é o comerciante Reginaldo Monteiro, 40 anos. Incentivado pelo filho de 16 anos, Monteiro resolveu, há cerca de quatro meses, adquirir um Calibra 95 especialmente para ser tunado. Sua personalização interna é o destaque. Conta com tapetes de alumínio, acabamento em azul, pedais esportivos e iluminados por um neon azul e volante de competição. Bancos em concha também devem ser instalados no carro em breve. O motor, um 1.6 de 16 válvulas com 95 cv, deve ganhar logo o incremento de um turbo e de nitro. As rodas são de 17'', com pneus 225/45. Um detalhe, porém, é o que mais chama a atenção no Calibra. Um aerofólio traseiro de quase 10 cm de altura, que Germano Teixeira garante funcionar acima dos 150 km/h. Tudo feito também pela Americar, ao custo de R$ 10 mil.
Reginaldo Monteiro enquadra-se no mesmo caso de Paleari, e até usa de argumentos convincentes para persuadir sua esposa a apoiá-lo na prática de tuning. ''Falo que estou arrumando o carro para dar uma volta com ela no fim de semana e ela adora'', explica.

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