Troca confortável das marchas cai no gosto popular
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de maio de 2014
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
O câmbio automático é uma tecnologia para troca de marchas realizada pelo sistema de transmissão do automóvel, que detecta a relação entre a velocidade e a rotação do motor para decidir automaticamente a mudança da marcha. Desta forma, o sistema mantém a rotação do motor quase constante, enquanto o câmbio trabalha de forma espontânea. Esse princípio foi inventado por dois engenheiros brasileiros José Braz Araripe e Fernando Lemos. O primeiro carro, também chamado de "hidramático", foi fabricado pela GM em 1938, após desenvolver o câmbio com o protótipo, e o projeto vendido seis anos antes pelos inventores. Nos Estados Unidos, quase todos os veículos utilizam o sistema desde a década de 1950.
Por aqui, a tecnologia vem caindo no gosto popular. A indústria automobilística prevê que, até 2015, a venda de carros automáticos deve crescer até 280% em comparação ao volume registrado em 2005. Em 2012, o segmento representou cerca de 6% das vendas no setor. Contribuiu para a conta a popularização do câmbio, hoje encontrado em carros mais populares e baratos dos que os disponíveis décadas atrás.
De acordo com dados da Peugeot, a versão automática do novo 208 alcançou 22,5% das vendas do modelo, enquanto a configuração de entrada, manual, ficou em 18%. Outro exemplo está na Volkswagen. Em 2009, quando a marca lançou o Polo I-motion, as vendas da versão automatizada respondiam por 5% das unidades top de linha comercializadas. No ano passado, os números fecharam em 23% dentro das configurações mais caras dos modelos Gol, Fox, SpaceFox e Polo.
Mais confortável na hora de dirigir, principalmente no trânsito pesado das grandes cidades, o câmbio automático pede também alguns cuidados, como a troca do óleo do sistema a cada 40 mil quilômetros rodados. Em alguns modelos, a manutenção inclui a substituição do filtro. Já em outros, a troca do equipamento só ocorre a partir dos 120 mil quilômetros.
O preço do litro do fluído varia de acordo com o tipo do câmbio e do veículo, ficando entre R$ 35 a R$ 120. O reservatório pede de 5 a 8 litros. Já o filtro pode ficar entre R$ 90 e R$ 500, também dependendo do tipo do sistema.
Apesar da troca ser indicada no manual, muitos motoristas sequer sabem do detalhe e acabam procurando os reparos quando já é tarde. "Um grande número de clientes chega aqui com o carro já com defeitos, como a entrada em emergência e perda da ré, por exemplo", revela a secretária da Bortolini Câmbios Automáticos, Letícia Nascimento.
Como o óleo perde a viscosidade, há risco de queima de disco ou tambor, além dos pacotes de marcha. "Os resíduos gerados no disco de fricção sujam o óleo e podem entupir o filtro. Sem lubrificação, as peças desgastam, os discos estragam e patinam por falta de pressão hidráulica, gerando vários problemas", explica o técnico da Multitransmissão, André Luis Acello, especialista do ramo há 14 anos. Segundo ele, cada câmbio pede um tipo de óleo específico, por isso a análise precisa ser feita por alguém capacitado para o serviço. "Hoje há muitos tipos de câmbio automático, até mesmo dentro de uma mesma linha de veículos. São atualizados ano a ano, por isso o profissional tem que ter os equipamentos necessários e também conhecimento para avaliar o serviço", pondera Acello.
"Sem a manutenção preventiva, em um caso extremo, o veículo até pode parar", alerta Letícia.
Se você achou o preço salgado, vale a máxima do "melhor prevenir do que remediar". Os valores para a reparação de defeitos causados pela falta de troca do fluído podem ficar bem mais caros, já que apenas a mão de obra dos serviços partem de R$ 1,2 mil, sem incluir aí as peças necessárias.


