Gostar de carros é uma das paixões inexplicáveis da vida. Assim como tantas outras, não é uma das coisas lógicas ou racionais. Ou se gosta ou não, sem meio termo. Um modelo que marcou uma época, o gosto de um parente que foi transmitido a uma criança. Não há explicação. O empresário Roberto Teixeira, de Londrina, é uma dessas pessoas que não consegue explicar a sua paixão, não só por carros, mas também por velocidade.
''É simplesmente gostar, não adianta ficar procurando respostas porque não têm'', diz Teixeira. Nascido na década de 60, um dos ícones da indústria automotiva daquela e das décadas seguintes era o Landau. Fabricado pela Ford, o sedã de origem americana marcou um período como poucos veículos. Era símbolo de status e de dinheiro: ''o carro dos presidentes'', como define o empresário. ''Era o meu sonho de infância, sempre quis ter (o Landau)'', afirma.
Atualmente, ele tem três desse modelo: dois originais (anos 80 e 81) e o outro no estilo ''hot rod'' (ano 77). O Landau, que seria personalizado, foi comprado em 95. Em 15 anos o veículo já teve três pinturas, a última feita no ano passado. ''E não vai morrer assim'', avisa Teixeira. No entanto, a ''personalização'' com direito a motor pintado no capô e labaredas nas laterais, não se resume à pintura.
A mecânica também foi incrementada com um motor a gasolina de 4.9 litros injetado, o mesmo utilizado pelas picapes F-250. O ronco do motor é de veículos esportivos. Já o desempenho é limitado pelo câmbio hidramático de três marchas, ainda original. A velocidade máxima atingida é de 230 quilômetros por hora. Os pneus também foram trocados por outros com medidas 295/50 aro 15. ''Uso no meu dia a dia, já viajei com ele para o Rio de Janeiro, Bahia, nunca me deixou na mão'', diz.
No entanto, esse veículo não é para qualquer um, ainda mais em tempos de carros econômicos e flex. O Landau consome um litro de gasolina para rodar apenas dois quilômetros. E para encher o seu tanque são necessários 120 litros. ''Antes ninguém queria (Landau) porque gastava muito, era vendido 'a preço de banana'. Hoje isso mudou e já custa mais caro do que muitos carros novos'', comenta Teixeira. A sua única queixa é quanto à reposição de peças.
Para suprir esse problema, ele comprou um outro Landau no ano passado - em perfeito estado - para utilizar suas peças nos outros dois carros, em caso de eventual necessidade. Além disso, ele também tem outras peças guardadas.
E engana-se quem pensa que o modelo faz sucesso apenas entre os fãs do estilo hot rod. O Landau, junto com o seu dono, já levou mais de 30 noivas para o altar. O empresário costuma atender ao pedido de filhas dos seus amigos, desde que, ele vá dirigindo. Aliás, ele tem um filho jovem, que só pode dirigir o Landau, se ele estiver junto.
Carros antigos
Os carros antigos fazem parte da vida do empresário. O primeiro deles não era exatamente antigo: um Galaxie ano 74 comprado em 80. No entanto, esse foi apenas o primeiro de uma longa lista, que ele afirma ter perdido as contas, na qual fazem parte um Sinca Tufão, um Ford T, um Puma, motos, entre tantos outros modelos. ''Nunca pensei em vender nenhum deles, não é a meta. Mas aí começam a oferecer preços fora da realidade. Também já me arrependi de ter vendido alguns'', confessa.

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