Mesmo o número de transportes escolares estando prestes a aumentar nos próximos dias, os motoristas e empresários dizem que o setor passa por dificuldades. O principal problema não seriam os ‘‘clandestinos’’, mas sim os preços considerados ‘‘defasados’’.
Para o Álvaro Antonio Doroso, que transporta estudantes há oito anos, os valores praticados em Londrina (entre R$ 60,00 e R$ 80,00) estão congelados desde 1999. ‘‘Basta lembrar que o diesel, que custava R$ 0,38, hoje chega a R$ 0,89. A manutenção das vans também subiram muito porque é cotada em dólar’’, explicou Doroso, referindo-se às peças importadas usadas pelos principais modelos de furgões usados no País.
Outros motoristas estão pensando em desistir de levar crianças à escola e optar pelas viagens de turismo fretadas. Adelino Suezo Matomoto, 40, trabalha no ramo há oito anos e pretende abrir uma pequena agência de turismo até o ano que vem.‘‘O transporte escolar compensa para manutenção, mas não oferece mais boas perspectivas. Já fiz pós-graduação em marketing e pretendo me especializar em eventos de turismo. É preciso pensar no futuro e não empurrar a vida com a barriga’’, comentou Matomoto.
A presidente da Associação de Transportes Escolares de Londrina (Apel), Marlene Petrachin, reconhece que os valores estão abaixo do mercado em relação a outras cidades, mas lembra que a situação já foi bem pior. ‘‘No passado tínhamos muitos problemas com clandestinos, que diminuiram bastante com a fiscalização. Os londrinenses precisam criar uma mentalidade semelhante aos paulistanos, onde muitos profissionais atendem apenas um colégio ou um bairro’’, comentou Marlene, lembrando que o transporte escolar em São Paulo não sai por menos de R$ 100,00 mensais.

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