Na boleia do caminhão, transportando pessoas, fazendo entregas ou em qualquer outra atividade do ramo, o fato é que as mulheres conquistaram seu espaço trabalhando nas rodovias e no trânsito das grandes cidades. Independente da categoria que estão inseridas na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) - de A a E - não é difícil encontrá-las trabalhando como autônomas ou para grandes empresas que necessitam de motoristas ágeis no dia a dia. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado neste dia 8 de março, a FOLHA conversou com algumas dessas motoristas batalhadoras, que enfrentam os desafios do trânsito muitas vezes caótico de Londrina.
Carmen Jatues, de 39 anos, Erlete Aparecida Donda, 43, e Marilene Oliveira Lima, 57, são motoristas de caminhões leves (tipo baú) da Braspress, empresa que trabalha com a entrega e coleta de encomendas urgentes e possui, em todo o país, 35% do seu quadro de motoristas do sexo feminino. No volante desses veículos que ultrapassam as seis toneladas, elas chegam a dirigir, dentro da cidade, cerca de 16 horas diárias. ''Estou há sete meses na empresa e realizo, em média, 34 entregas por dia. Fui promotora de vendas por 11 anos e mudei de categoria na minha CNH só para realizar o sonho de ser motorista de caminhão'', conta Carmen, que possui dois filhos pequenos e não se tornou motorista antes porque seu falecido marido não permitia.
Já Erlete e Marilene estão na empresa há mais de sete anos e a paixão pela direção é de longa data. Antes de assumirem veículos desse porte, ambas deram aulas por anos em autoescolas. ''Capacidade não tem sexo. Temos tanta competência quanto os homens para dirigir, independente do veículo. Creio também que a mulher é mais atenciosa no trânsito, pede uma passagem com carinho, dá um sorriso, e acaba sendo beneficiada por isso. Acho que não existe preconceito, até ajuda (ser mulher)'', brinca Erlete, que é filha de uma caminhoneira.
A motorista tem razão. O gerente da Braspress de Londrina, Wanderley Edson Fernandes, coloca na ponta do lápis aonde a transportadora acaba sendo beneficiada quando contrata mulheres para o cargo de motorista. ''Além de todo o charme feminino na hora de atender os clientes, elas são mais tranquilas e cuidam muito bem dos veículos, que ficam melhor conservados e têm a manutenção reduzida'', retrata.
Pulando da categoria C para a B, de veículos menores, a taxista Teruko Carmen Oshiro, de 58 anos, conta que resolveu ingressar na profissão de motorista na década de 90 para poder ter mais tempo nos cuidados com sua mãe e avó. ''Depois disso, fui para o Japão e quando regressei quis retomar a profissão de taxista, um pouco pela dificuldade de encontrar emprego com idade avançada. Me considero uma boa motorista, mas acho que existem diversos motoristas ruins, está complicado dirigir por aqui'', critica Teruko.
Uma das vantagens que a taxista considera que tem sobre os seus companheiros de profissão do sexo oposto é a vasta clientela de mulheres que possui. ''As clientes acabam gostando de ser levadas por uma taxista mulher. Acho que se sentem mais à vontade para conversar durante o trajeto'', ressalta. Segundo o Sindicato dos Taxistas de Londrina, só existem seis mulheres atuando na profissão no município, entre os mais de 1.300 motoristas permissionários e seus auxiliares.

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