O diretor da Divisão América da Toyota, Yukitoshi Funo, admitiu em Detroit a possibilidade de a montadora japonesa vir a produzir o utilitário esportivo Matrix no Brasil, na unidade da empresa em Indaiatuba, no interior de São Paulo. O modelo, foi exibido pela Toyota no North American International Auto Show (Naias 2001), o Salão de Detroit, nos Estados Unidos, e será lançado no mercado norte-americano em janeiro de 2002.
De acordo com Funo, a produção do Matrix no País será viável quando a fábrica de Indaiatuba estiver produzindo volumes anuais superiores a 60 mil unidades, número que a montadora espera atingir entre 2002 e 2003.
Em setembro, a Toyota anunciou investimentos de US$ 300 milhões para triplicar a capacidade de produção do Corolla até 2002, passando de 15 mil veículos fabricados por ano para cerca de 45 mil.
Com linhas futuristas, o Matrix utiliza a mesma plataforma do novo Corolla, modelo lançado este ano no Japão e que deve ser produzido no Brasil em 2002. No mercado-norte-americando, o Matrix terá motores de 130 cv e 180 cv (Matrix Sport) e vai competir com o Pontiac Vibe, também exibido no Salão de Detroit, que será produzido na fábrica da joint venture Toyota-General Motors na California, nos Estados Unidos. Na prática, trata-se do primeiro produto da parceria criada entre a General Motors e a Toyota. O Pontiac Vibe utiliza motor Toyota de 1.8 litro e 180 cv de potência máxima. O Matrix também poderá ser concorrente do PT Cruiser, da Chrysler, nos Estados Unidos.
O consumidor jovem é um dos principais alvos dos lançamentos e carros-conceito exibidos pelas montadoras no Salão de Detroit. Grande parte da linha de veículos apresentada no evento é voltada para a chamada ‘‘Geração Y’’ (de youth, juventude em inglês), formada por jovens nascidos entre 1977 e 1994.
De acordo com estimativas da General Motors, os filhos e filhas dos chamados ‘‘baby boomers’’ (nascidos entre 1946 e 1964) norte-americanos representam um mercado emergente de 70 milhões de pessoas.
‘‘A faixa mais velha desta geração está apenas chegando à idade de ter seu primeiro carro, mas são pessoas que se identificam há muito tempo com o tipo de veículo que vão escolher no futuro’’, afirma a chefe da Equipe de Estratégias para a Juventude ( o iSYS Team) da GM, Janet Goings. ‘‘São consumidores sofisticados e, se não os conquistarmos agora, será difícil conquistá-los no futuro’’, observa.
A lista dos dez carros comprados pela Geração Y, de acordo com a GM, inclui o Volkswagen Jetta (Bora), o Honda Accord e a picape Ford série F, com preços entre US$ 21 mil e US$ 24 mil no mercado norte-americano.
O presidente das operações da Ford na América do Sul e vice-presidente mundial da montadora, Terry de Jonckheere, também acredita que a fidelização à marca tem início bem cedo na vida do consumidor e pretende aplicar a idéia ao mercado do Brasil. Para isso, segundo ele, a filial brasileira da montadora está investindo em ações de revitalização da marca. O conceito de rejuvenescimento vem sendo estendido à própria rede de concessionárias. ‘‘De nada adianta lançarmos novos produtos se a mentalidade do revendedor está ultrapassada’’, afirmou à Agência Estado.
O diretor de Assuntos Corporativos da Ford, Célio Batalha, informou que a empresa está organizando um banco de dados com informações de consumidores em potencial para facilitar a comercialização dos veículos.
Durante o Salão de Detroit, a Ford exibiu o carro-conceito EX, um utilitário exportivo cujo nome é derivado de extreme (extremo). O veículo tem como público-alvo os praticantes de esportes radicais. É equipado com motor V6 de 4.0 litros e potência de 375cv, o mesmo utilizado na nova Explorer. A Honda apresentou o modelo X, voltado para o jovem que aprecia atividades esportivas como surfe, skate e mountain bike. Segundo o vice-presidente da divisão América da Honda, Tom Elliot, aproximadamente 500 mil veículos foram comprados pela chamada ‘‘Geração Y’’ no mercado norte-americano no ano passado.

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