Nos próximos três meses a matriz da Toyota, no Japão, dará resposta à direção da subsidiária brasileira sobre pedido de aumento de investimentos no Brasil. A informação é do presidente da Toyota do Brasil, Kazo Uji. Ele também confirmou a constituição de um banco da montadora, que será instalado simultaneamente à inauguração da fábrica de automóveis, no dia 18 de setembro. O novo investimento será usado no projeto de carro popular. A fábrica já está produzindo.
Uji não quis revelar o total de investimento adicional que está sendo aguardado pela empresa. ‘‘Só posso dizer que é um investimento muito grande’’, disse o executivo, que assumiu há pouco tempo o comando das operações no Brasil.
Em relação ao banco, Uji adiantou que a instituição começará a operar com capital de R$ 10 milhões. O banco servirá para financiar tanto a rede de concessionários como as vendas a prazo para o consumidor.
O presidente da Toyota do Brasil esteve hoje no palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, para conhecer o governador em exercício, Geraldo Alkimin, e acertar com ele os detalhes da festa da inauguração da fábrica.
Há dez meses a direção da Toyota assumiu a intenção de elevar significativamente o total de recursos a ser investidos no Brasil e, poucos dias depois, o presidente mundial da companhia, Hiroshi Okuda, confirmou, no Japão, os planos de produzir um carro popular no Brasil, derivado do Fun Time, protótipo compacto que foi apresentado no Japão no final do ano passado.
Nesta semana a Toyota iniciou a produção em ritmo industrial na fábrica que acaba de ser construída no município de Indaiatuba (SP). O primeiro lote de carros, 300 unidades do modelo médio Corolla, deverá estar concluído na primeira quinzena e será submetido à avaliação de um grupo de japoneses, que virá da matriz da montadora para checar a qualidade dos produtos feitos no Brasil. O Corolla brasileiro será lançado junto com a inauguração da fábrica, segundo Uji.
CrescimentoAo anunciar que construiria uma fábrica de automóveis, a montadora japonesa disse que o investimento se limitaria a US$ 150 milhões. Na verdade, a companhia já tinha planos mais audaciosos que devem transformá-la em uma das maiores montadoras do Brasil no próximo século. Hoje 170 pessoas trabalham na fábrica de Indaiatuba. O número de empregados poderá chegar a 300 nos próximos meses.
A rede Toyota passou de 50 para 89 pontos de venda este ano. A idéia é ter 100 no dia da inauguração. Até o final do ano deverão ser vendidas 2 mil unidades do Corolla fabricado no Brasil. Com a chegada do carro brasileiro, já na versão atualizada, a empresa deixou de importar o Corolla do Japão.
No próximo ano, a fábrica da Toyota operará ao ritmo de mil veículos por dia, o que fará a produção do primeiro ano ficar entre 12 mil e 15 mil. O ritmo será elevado gradativamente e dobrará a partir do ano 2000. A Toyota vendeu 14.500 veículos em 1997 e planejou 20 mil para este ano.
No mundo, a Toyota é a terceira maior montadora. No mercado brasileiro, a participação da marca é inferior a 1%, fatia semelhante à das marcas que também estão instalando fábricas, como a Renault. Assim que estiver operando sua fábrica com pelo menos dois modelos de carros e produção anual superior a 200 mil veículos, a meta da Toyota é ter 10% do mercado brasileiro.

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