A Folha Carro & Cia avaliou o modelo Mégane Sedã, versão RT, nas ruas e estradas de São Paulo (capital), até Londrina. O automóvel mostrou um ótimo desempenho, com destaque para o motor e o conforto interno. Teve ainda um consumo razoável de combustível, com média de 11,8 km/l na estrada e 10,3 km/l em trecho urbano. O carro é agil nas ruas e tem fôlego na estrada.
Se não fosse o losango tradicional da Renault estampado no capô, seria preciso olho clínico para perceber as diferenças do Mégane para outros médios de desenho moderno que estão no mercado. As linhas do carro já são quase clássicas: traseira alta, frente baixa, perfil em cunha, uma sutil linha de caráter no capô, na lateral nem isso, e todas as extremidades arredondadas.
Internamente, a dificuldade de encontrar a identidade do sedã se mantém. O Mégane tem painel arredondado, instrumentos de desenho limpo, acabamento discreto e amplo porta-malas - 510 litros. O conforto também é padrão na categoria: boa posição de dirigir, espaço para pernas e cabeças, comandos à mão. Até mesmo os comandos-satélite para rádio não são tão incomuns. Ou seja, nenhum ovo de Colombo. O que a Renault quer vender no Mégane, além da ótima relação custo/benefício, são exatamente os detalhes que passam despercebidos numa olhada rápida.
O melhor do Mégane está no conjunto equilibrado, na potência e, principalmente, no torque surpreendente para um carro com motor 2.0 com apenas duas válvulas em cada um dos quatro cilindros. Não tanto pelos números: são 115 cv de potência e 17,4 kgfm de torque. Absolutamente normais. O que impressiona é o desenho da curva de atuação do motor. Aos 1400 giros, 90% do torque já está disponível.
Isso quer dizer que, acima da marcha lenta, basta pisar no acelerador para o carro responder prontamente. Um espelho numérico disso é a aceleração de zero a 100 km/h, que pode ser cumprida em 10,5 segundos apenas, mas o reflexo real está na hora de ultrapassar um outro carro numa estrada. O Mégane sedã é ágil e arisco.
A velocidade final apontada pela fábrica é de 190 km/h. Mas quando se chega aos 150 km/h, a direção se mostra muito leve. A suspensão mostrou-se equilibrada sempre que teve chance para isso.
Um dos subprodutos da boa calibragem da suspensão é a ausência de ruídos no habitáculo. O câmbio também não apresentou roncos nem gemidos desagradáveis.

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