Uma fábula futurista, onde homens e máquinas humanizadas trabalham juntos em harmonia para fabricar um carro a cada 77 segundos. Esta é a sensação que se tem ao caminhar pela linha de produção da fábrica da Volkswagen do Brasil, em Taubaté (SP), onde são produzidos o Gol e a Parati de quatro portas. Esta unidade da VW está entre as mais automatizadas da indústria automobilística da América Latina. A multinacional já investiu nesta unidade R$ 200 milhões desde 1994, quando iniciou o processo de robotização da linha de produção. A unidade de Taubaté produz 950 carros por dia, em três turnos.
No início da automatização, a unidade de Taubaté recebeu quatro robôs. Os operários logo batizaram os novos companheiros: Tibúrcio, Tibério, Peripérsio e Adamastor. ‘‘Foi uma forma de ‘‘humanizar’’ as máquinas’’, comentou o assessor de imprensa da VW, Ricardo Júlio. Hoje, quatro anos e meio depois, a fábrica de Taubaté conta com 137 robôs, distribuídos em todas as etapas de produção de automóveis.
Homens e máquinas conseguem produzir um carro a cada 77 segundos na fábrica de TaubatéSegundo Júlio, a indústria, que emprega 7 mil pessoas, não dispensou nenhum funcionário por causa da robotização. ‘‘Todos os operários que tiveram suas tarefas automatizadas foram remanejados para outros setores da fábrica’’, garantiu.
A primeira etapa de fabricação de um carro é a estamparia. Aí os robôs, com 1.350 quilos, transportam chapas de aço com até 120 quilos entre uma prensa e outra. Nesta etapa, a robotização atinge 70% dos processos. São 26 prensas funcionando como carimbos gigantes, que com um empuxo de até 1,8 mil toneladas moldam nas chapas de aço os 25 itens (portas, tetos, capô, etc) que formam a carroceria do carro. Os robôs deram maior agilidade ao processo: antes, a cada minuto, eram produzidas três peças, agora são estampadas cinco unidades por minuto.
A armação da carroceria em Taubaté tem um índice de 40% de automação, é o maior da América Latina. Nesta fase, as partes que compõe a carroceria dos veículos são montadas e soldadas. Uma tarefa complexa que exige precisão e uniformidade dos pontos que levam solda, o que garante estabilidade e segurança do carro. Para se ter idéia da complexidade, um automóvel Gol tem três mil pontos de solda na carroceria. Os 96 robôs responsáveis pela solda contam com 21 dispositivos automáticos que garantem que cada carro receberá as soldas sempre nos mesmos pontos.
Na última etapa robotizada operam nove máquinas que são responsáveis pela montagem final dos carros. Estes robôs também trabalham com precisão na aplicação da cola que sustenta os vidros, controlando uniformidade, viscosidade, temperatura, quantidade e localização ideal da massa adesiva. Os robôs se movimentam de forma cadenciada, e parecem enxergar o local onde vão aplicar a cola. Eles lembram confeiteiros enfeitando um bolo.
Montada a carroceria, os carros seguem para a pintura, onde recebem proteção anticorrosiva, formada por uma camada cristalina de fosfato de zinco. A pintura definitiva é feita em grandes tanques onde os carros são mergulhados. O interessante é que os carros de um mesmo lote recebem cores diferentes, ou seja, na mesma linha de montagem se encontram carros brancos, vinhos, vermelhos, verdes, etc.
A escolha das cores é determinada pela próprio consumidor e, cada região do País tem uma preferência. Em Minas, por exemplo, dificilmente algum consumidor solicita um carro verde, cor utilizada pela companhia elétrica do estado. No Norte do País, os carros brancos tem maior procura por causa do sol e do calor. Nos estados do Sul, os compradores optam mais por cores suaves e sóbrias. Na Bahia, segundo Júlio, a demanda maior é por carros de cores fortes.

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