Testes que valem um automóvel
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de abril de 2006
Mauricio Della Barba 
Uma teoria, de nada vale, se não houver a prática. A máxima, famosa principalmente nas áreas de pesquisa, também é válida quando nos referimos aos automóveis. Não basta um belo desenho, um motor possante e uma parafernália eletrônica de última geração para garantir o sucesso de um carro.
Para sobreviver no mercado e garantir eficiência e segurança, um veículo precisa acima de tudo rodar, rodar, rodar muito, antes de ser estar à venda nas lojas. Para testá-los, as fábricas contam com pistas de testes e laboratórios, também conhecidos como campos de provas (por oferecer inúmeros testes além do circuito no asfalto). Neles, pilotos experientes e modernos equipamentos de diagnósticos avaliam todos os aspectos mecânicos, estruturais e de desempenho de um carro.
Na América Latina o maior campo de provas é o da GM do Brasil. Localizado em Inadaiatuba, interior de São Paulo, e conhecido como CPCA (Campo de Provas de Cruz Alta), a pista foi criada em 1974 e desenvolve e valida todos os modelos da empresa.
Outro campo de provas antigo e renomado é da Ford, em Tatuí, construído em 1978 no interior de São Paulo. Por lá, numa área de 4 milhões de metros quadrados, 200 funcionários aplicam testes em duas pistas. O Campo é o mais completo laboratório desse tipo, da Ford, na América do Sul.
Em Betim, Minas Gerais, na sede da Fiat, há também outra pista de testes. Com quase 4 mil m2 de extensão, possibilita vários tipos de testes, inclusive nas curvas parabólicas, que chegam a 38 graus de inclinação.
Nas pistas são avaliados a estrutura, a transmissão, a suspensão, os freios e o comportamento do veículo em diferentes condições de ruas e estradas, graças a superfícies especiais que simulam essas situações.
Existem ainda outros tipos de testes de durabilidade onde são percorridos mais de 80 mil km. Os testes de longa duração servem para avaliação das mais diversas condições dos veículos, como durabilidade externa, alta velocidade, tráfego urbano, durabilidade de sistema de injeção de combustível, conversor catalítico e durabilidade geral de caminhões.
Já nos percusos off-road são testados os equipamentos com tração, avaliados em ondulações, pedras soltas, poços de lama e áreas com areia e água. Em Tatuí também há tecnologia para realização de crash-tests (teste de batida), com bonecos que simulam a ação dos passageiros no caso de impacto.
Outros testes realizados nos carros, inclusive em laboratórios, são: controle estático do nível de água, óleo, posicionamento dos cabos elétricos, dos tubos de água, combustível e freio.
Nos campos, dentro dos laboratório, também há robôs que fazem o trabalho de testar veículos. Em Tatuí, a Ford conta com dinamômetros de motores e dinamômetro de chassi, operados por robôs de última geração, que fazem trocas de marcha e operam 24 horas por dia, a velocidades de até 250 km/h. O campo de provas da Ford dispõe ainda de laboratório de emissões, laboratórios de acústica.


