Depois de fazer uma conta ali, outra aqui e colocar tudo na ponta do lápis, não restam dúvidas: ter um carro custa tanto quanto ter um filho. As despesas são as mais variadas e ninguém escapa de gastos básicos como combustível, imposto, seguro e manutenção. Mesmo as despesas de carros mais econômicos como os de motor 1.0 pesam no bolso do motorista. Um carro básico 1.0, ano 2001, por exemplo, pode despender mais de R$ 250 mensais.
Com tantos cuidados que o veículo pede, o motorista precisa ter muito jogo de cintura para mantê-lo em bom estado sem fugir do orçamento. ''É um bem de consumo necessário, mas é preciso usá-lo com muita moderação e calcular os gastos com bastante cuidado para não ter nenhuma surpresa desagradável no final do mês'', avaliou o economista Flávio Oliveira dos Santos.
Uma das medidas essenciais que o motorista deve tomar, segundo o economista, é em relação as despesas de manutenção do automóvel. Como os veículos, pelo menos os que estão com a revisão em dia, não apresentam problemas todos os meses, a idéia seria fazer uma poupança para se previnir de possíveis contratempos mecânicos. ''Para os mais disciplinados essa é uma ótima alternativa.'', garantiu Santos. A sugestão dele é simples: nos meses que não for necessário gastar dinheiro para realizar manutenções o motorista deve guardar na poupança 20% do que gasta todo mês com o veículo.
Se por um lado existe uma fórmula para amenizar as despesas mecânicas, a receita já não serve para os gastos com combustível. De acordo com Santos esse ítem totaliza mais de 50% dos custos mensais do veículo. Em uma conta simples, o economista concluiu que se uma pessoa que anda em média 700 quilômetros por mês, com um carro 1.0, as depesas ficam em aproximadamente R$ 150. ''A alternativa seria trocar o carro pelo ônibus, mas isso nem sempre isso é possível'', sugeriu.
Outras despesas não menos importantes e indispensáveis são o Imposto Sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o seguro. O motorista gasta por ano com esses compromissos cerca de R$ 280 e R$ 850, respectivamente, para um modelo básico ano 2001. ''Se a pessoa consegue pagar essas despesas logo no começo do ano e à vista, ela consegue um bom desconto. Mas isso raramente acontece'', observou Santos.
Ele frisou que despesas como a troca de óleo, pneus e bateria, são previsíveis, portanto possíveis de serem planejadas. Alguns motoristas, destacou o economista, ainda têm gastos mensais com estacionamento. ''Tem gente que trabalha no centro, por exemplo, e precisa pagar estacionamento para deixar o carro, ou ainda precisa pagar a Zona Azul'', lembrou.
Santos apontou que para manter o automóvel em bom estado, o motorista deve ter uma ganho mensal de mais de R$ 1 mil. Isso, se o automóvel não for financiado e a pessoa não tiver que sustentar a família. Caso contrário, disse ele, a renda tem que ser bem maior. O mais importante, na opinião do economista, é que as pessoas calculem bem as despesas e não transformem o carro de um sonho de consumo em um pesadelo.

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