Tecnologia turbo pode chegar aos motores flex
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sábado, 22 de março de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local 
Os motores turbo estão presentes hoje em vários veículos, inclusive 1.0, mas com abastecimento à gasolina. Agora, pesquisadores brasileiros estudam o desenvolvimento de sua versão flex, movida também a etanol, e apostam no potencial do biocombustível brasileiro para popularizá-lo em três anos. O assunto foi debatido este mês no Seminário Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo.
Hoje, o motor turbo flex é encontrado em modelos como o BMW 320i. O engenheiro mecânico e professor da Universidade de São Paulo (USP) Francisco Nigro explica que esses motores "são pequenos, o que, consequentemente, diminui o consumo, mas, que, ao pisar no acelerador, alcançam uma potência que não é comum no que temos hoje no mercado".
Para Nigro, a tecnologia tem futuro promissor no Brasil, porque o "etanol é excelente para motores com alta taxa de compressão e turbo".
Ronaldo Salvagni, da Escola Politécnica da USP, acredita que o País precisa urgentemente renovar a tecnologia dos seus motores. "O que temos hoje é uma gambiarra, um motor adaptado", diz. Segundo Salvagni, o desenvolvimento desta tecnologia vai refletir diretamente na produção e exportação do etanol.
Empresas estão trabalhando em conjunto com montadoras no desenvolvimento da tecnologia. Em 2013, a fabricante sistemista Honeywell anunciou a conclusão do projeto para compatibilidade de turbocompressores com propulsores que funcionam com etanol ou gasolina de forma isolada ou misturados em qualquer proporção.
Especialistas consultados pela FOLHA concluem que tecnologia existe para o desenvolvimento do turbo flex, no entanto, fazem ressalvas. "Claro que com um motor só para cada combustível você consegue mais eficiência, pois é difícil fazer uma coisa polivalente tão eficiente quanto, mas tecnologia tem para qualquer coisa", opina o professor de Engenharia Mecânica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Amadeu Lombardi. O coordenador do curso técnico em manutenção automotiva do Senai Londrina, Edison Bonifácio, completa: "A tecnologia está tão avançada que eu não digo que é impossível desenvolver um motor turbo flex", finaliza.
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