Tecnologia para enfrentar frio e vento
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de fevereiro de 2015
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Reykjavík (Islândia) Depois de voarmos por mais de 14 horas para chegar de São Paulo até a capital islandesa, Reykjavík (lê-se Rake-ya-veek), a primeira impressão que tivemos do país dos vikings é de que tudo lá é feito de gelo. A princípio, um alívio para nossos corpos quentes que vinham enfrentando as altas temperaturas do verão brasileiro. Mas assim que deixamos o aeroporto de Keflavík rumo à capital, o vento gelado da Islândia - que pode atingir velocidades de até 120 km/h - espantou qualquer vontade de ficar do lado de fora. Ainda assim, o passeio de dois dias pelas estradas islandesas foi prazeroso: se fora do Discovery Sport fazia -7º C, dentro era praticamente primavera, aos 22º C.
Na primeira tarde de testes, deixamos Keflavík rumo ao Hotel ION, localizado a 104 km do aeroporto. Como na Islândia os dias são curtos o amanhecer acontece por volta das 10 horas e escurece às 17 horas fizemos parte do percurso na estrada com gelo no escuro, o que tornou a chegada no hotel ainda mais emocionante. Pelo caminho, enfrentamos chuva no asfalto e circundamos uma montanha, por uma estrada cheia de neve, e a única forma de dirigir com segurança foi ativar o Terrain Response, sistema acionado no console central que permite que o Discovery Sport seja conduzido precisamente, independente do terreno.
O sistema tem quatro ajustes: Geral, Grama/Neve/Cascalho (para condições escorregadias on e off-road), Lama e Areia. Acionada a função Neve e o Hill Descent Control (HDC), controle que mantêm a velocidade enquanto avança em descidas inclinadas durante o off-road, conduzimos o SUV por uma estrada de neve que tinha montanha de um lado e precipício do outro. Deu medo, mas o funcionamento do sistema fora de estrada do Discovery é tão preciso que o carro permaneceu grudado no chão. Com o HDC ajustado para a velocidade mínima de descida, se quiséssemos acelerar, bastava acionar a tecla + do dispositivo. Tentamos uma vez, mas preferimos retomar a velocidade mínima, já que estávamos no meio da montanha.
Chegamos mais rápido do que poderíamos imaginar ao hotel ION, localizado ao lado da estação geotérmica de Nesjavellir. Esta é a segunda maior estação geotérmica da Islândia, responsável pela geração de 120 MW de eletricidade e de mais de 100 mil litros de água quente por minuto para a capital do País. Lá teríamos a possibilidade de testemunhar a Aurora Boreal, mas o tempo chuvoso impediu que apreciássemos a dança de luzes no céu islandês.
O vento no local era tão forte que os organizadores pediam que, ao descermos do carro, fechássemos imediatamente a porta para que ela não voasse. Também era preciso andar bem devagar porque o piso estava coberto de gelo e o vento levava o corpo para lá e para cá.
No segundo e último dia de testes, saímos com uma hora de atraso em função da chuva. Ainda era escuro às 9 da manhã, por isso, deixamos o hotel ION em comboio, com um carro de apoio da Land Rover direcionando o grupo, que conversava por rádio. Inconstante é pouco para descrever o clima na Islândia, mas já havíamos sido alertados pelos organizadores.
No percurso de cerca de 300 quilômetros, fizemos duas paradas para troca de motoristas. Na primeira metade, enfrentamos chuva e vento de mais de 80 km/h, enquanto trafegávamos em meio às montanhas, sempre com o Terrain Response acionado. Apesar de estarmos no asfalto, a função Neve era necessária caso encontrássemos gelo na pista. E tudo correu bem. Sentíamos o vento do lado de fora, mas dentro do carro era como se nada acontecesse. E nem foi preciso fazer força para segurar o volante, pois o 4x4 da Land Rover deu conta sempre.
Um diferencial positivo durante a viagem foi o desligamento automático do para-brisa nos momentos em que a chuva dava trégua. Os faróis também tinham acionamento automático e ligavam e desligavam conforme a claridade da pista.


