Os bancos das montadoras devem fechar o ano com um volume de recursos recorde na história do setor, totalizando R$ 6 bilhões, atingindo a expectativa prevista na metade do ano. A informação é do presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Fernando Mascarenhas, que pretende divulgar o resultado oficial do ano no início de fevereiro.
O volume previsto equivale a um aumento de 57,8% sobre o total do ano passado, de R$ 3,8 bilhões. E é maior que o recorde de 1998, de R$ 4,5 bilhões.
O total de clientes nas carteiras dos bancos filiados à Anef deve atingir 1 milhão em 2000. Mascarenhas previu ainda uma queda no índice de inadimplência do setor, que em agosto era de aproximadamente 6%. Os bancos das montadoras vão fechar o ano com uma participação em torno de 50% dos financiamentos totais de veículos no mercado brasileiro.
Para o presidente da Anef, a conjuntura econômica desfavorável no segundo semestre do ano - crise na Argentina e alta do petróleo, com consequente aumento do custo de captação de recursos no longo prazo – deve afetar negativamente os resultados financeiros das instituições, apesar de não ter acarretado a alta das taxas de juros para o consumidor. ‘‘Tivemos um semestre conturbado, que afetou os custos financeiros e reduziu o spread das nossas operações’’, comentou Mascarenhas.
A taxa média mensal de juros para financiamento e leasing de veículos, que em janeiro de 1999 estava em 3,95%, vai fechar o ano ao redor de 1,90%, devendo cair para 1,85% ao mês em janeiro de 2001, por causa da redução da taxa de juros básica (Selic) da economia brasileira, que passou de 16,5% para 15,75% ao ano na semana passada. ‘‘Devemos repassar a redução somente no próximo ano’’, disse o presidente da Anef.
Ele previu que o setor terá resultados positivos em 2001, mas não quis fazer estimativas sobre o montante de recursos a ser colocado à disposição do consumidor para as operações de financiamento. ‘‘Acreditamos que os indicadores econômicos do País vão melhorar, mas isso não significa necessariamente um aumento do volume de recursos oferecido pelos bancos de montadoras’’, disse. ‘‘Afinal, as condições devem estar melhores para todas as instituições financeiras, aumentando a concorrência oferecida pelos bancos independentes.’’
Segundo Mascarenhas, a entrada de novas instituições estrangeiras no mercado brasileiro este ano não afetou a atividade dos bancos de montadoras até o momento. ‘‘Por enquanto essas instituições não estão concentrando suas operações no financiamento de veículos de passeio’’, finalizou Mascarenhas.

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