Passar a juventude a bordo de uma motocicleta é um sonho de muitos. Sensação de liberdade, vento contra o rosto e praticidade para ir de um lugar ao outro são apenas algumas das vantagens de quem pilota o veículo.
Em 1957, o eletrotécnico João Schobiner Neto, então com 16 anos, realizou esse sonho, quando o pai dele, João Schobiner Filho, adquiriu uma Monark Jawa 1955. "Meu pai comprou a moto que era pouco utilizada pelo antigo proprietário, que não conseguia tirar carteira devido a problemas na visão", lembra.
O motociclista lembra que sempre gostou de andar de bicicleta, desde o tempo de menino, e que no início da adolescência chegou a ter uma motorizada, um prenúncio da Jawa que viria anos mais tarde.
Na cor azul, já um pouco desbotada pelas décadas na tentativa de manter a originalidade, a Monark da linha Jawa apresenta uma motorização de origem tcheca, conforme explica seu proprietário. "É do mesmo fabricante de bicicleta, mas o motor veio de fora", ressalta.
Schobiner Neto ressalta que futuramente até cogita uma restauração completa da motocicleta, mas isso não deve ocorrer tão cedo. Um dos motivos para essa decisão é que a motocicleta ficou cerca de 30 anos sem andar e só voltou a funcionar em 2013, uma conquista para o eletrotécnico de 72 anos. "Há muito tempo ela começou a apresentar problemas e desmontei o motor, mas não consegui peças para refazê-lo e ela ficou encostada. Um amigo da família deu um jeito esse ano e ela voltou a andar. Me sinto realizado, pois lembro de muitas histórias que vivi a bordo dela", diz.
Como motor de dois tempos, a motocicleta precisa que se misture óleo e gasolina para se movimentar. O proprietário garante que hoje a Jawa funciona perfeitamente, no entanto, ele revela que não tem colocado a moto na rua para evitar problemas com a lei.
Apesar de possuir toda a documentação, Schobiner Neto conta que com o veículo parado, ele deixou de pagar os impostos. Além disso, algumas leis mudaram dos anos 1950 para cá com relação à segurança das motocicletas. A Monark não possui, por exemplo, retrovisores nem pisca-alerta e a luz traseira é pequena. Também a placa de numeração é amarela.
"Não fui ao Detran para saber o que preciso fazer, mas quero deixar a motocicleta toda ajustada para que possa usar vez ou outra", planeja o colecionador.
Cheio de nostalgia, o eletrotécnico reforça que não pretende se desfazer do veículo que, conforme ele, na sua juventude, foi responsável por transportar ele e um amigo ao tiro de guerra de Londrina durante um ano inteiro. Aliás, essa era uma das particularidades da Jawa. "Meu pai improvisou um suporte com alças para que eu carregasse alguém na garupa porque originalmente a Jawa não tinha garupa", recorda Schobiner Neto.
O proprietário frisa ainda que o veículo possui dois escapamentos e para que ele pudesse guardar objetos, suas laterais possuíam bolsas de couro.
O eletrotécnico adianta que sua Monark tem um possível dono futuro e deve ficar na família por um longo tempo. "Meu filho caçula é apaixonado por motocicletas e provavelmente essa aqui fique com ele. Mas ainda não decidi isso. Fico feliz que depois de tanto tempo ela tenha sido ressuscitada e espero dar umas voltas nela", finaliza.

mockup