Poucas coisas da vida conseguem marcar uma trajetória. Um hábito familiar, uma comida ou um doce apreciado na infância, um carro que marcou uma época. Assim é o Karmann Ghia do diácono Paulo Pedro Giorgiani, de Jandaia do Sul. ''É uma paixão antiga. Nasci em 49 e, durante a minha juventude, sempre dizia: um dia ainda vou ter um. Demorei, mas comprei'', lembra.
Na memória ele ainda guarda quando o carro foi lançado. ''Gostei demais e ainda não quero outro (modelo)'', afirma. O modelo, ano 67, foi comprado há 18 anos. Pagou US$ 3 mil. ''Mas não vendo por R$ 35 mil'', avisa. De cor vermelha - uma das suas preferidas - o veículo foi adaptado a seu gosto. A mecânica ganhou freio a disco, ignição eletrônica, motor de 1.500 (de Fusca), nova suspensão e rodas aro 14 polegadas; já o interior também ficou todo vermelho: assoalho, bancos e acabamentos.
''Rodo de 4 mil a 5 mil quilômetros por mês e, por isso, ajeitei atrás para que eu possa dormir'', conta Giorgiani. O ''mini quarto'' foi adaptado atrás dos únicos bancos dianteiros. Aliás, os pontos fortes do veículo, na sua opinião, são o espaço interno e a estabilidade nas estradas. Homem de fé, ele faz questão de salientar que usa o Karmann Ghia para evangelizar em palestras ministradas Brasil afora, apesar de não ser o seu único carro.
Na garagem ainda há um Honda Civic, modelo mais atual e moderno. Ainda assim o Karmann Ghia é o veículo da família, usado por ele e pelos filhos. ''Gosto de viajar com o carro, os meus filhos gostam. Curtimos este Karmann Ghia'', comenta Giorgiani. Apesar disso, não há muito apego material. ''Se aparecer um bom negócio vendo. O meu sonho mesmo é ter um conversível'', revela.
História
O Karmann ghia foi lançado em 55 na Europa e começou a ser produzido no Brasil no início dos anos 60. No período pós-guerra e com a recuperação econômica da Europa, a ideia da Volkswagen era lançar um modelo esportivo derivado do Fusca. Agradou logo de cara. O modelo foi apresentado no Salão do Automóvel de Frankfurt, e já se tornou um sucesso.
Os primeiros modelos eram equipados com o mesmo motor 1.200 de 36 cv do sedã e atingia na época 118 km/h de velocidade máxima. Com esse motor, o Karmann Ghia levava mais de 30 segundos para atingir os 100 km/h. Em 1967 a Volkswagen começou a modernizar a mecânica de seus veículos e dotou o Karmann-Ghia com um motor de 1.500 cm3 que desenvolvia 52 cv (a 4600 rpm). O esportivo passou a atingir 135 km/h de velocidade máxima e acelerar de zero a 100 km/h em 26,3 segundos. O modelo conversível foi lançado em 68. Independentemente da cor do veículo, a capota era sempre de lona impermeável preta.

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