Sociedade paga caro pelos acidentes
Arquivo FolhaO Brasil gasta US$ 1,5 bilhão, em média, com acidentes de trânsitoMais de 55 mil brasileiros morrem a cada ano em acidentes de trânsito, segundo as estatísticas oficiais. Esta cifra talvez seja maior, já que, em muitos casos, não são computadas mortes que ocorrem posteriormente, em decorrência de ferimentos ou complicações por eles geradas.
Nosso País não ocupa mais o posto de campeão mundial de acidentes, que acreditávamos nosso até pouco tempo. Mas a alteração no ranking dos mais desastrados do mundo não ocorreu exatamente por mérito nosso: é que pelo menos dois dos três primeiros colocados nesse ranking, Letônia e Lituânia, até pouco tempo não dispunham de dados sobre a matéria. O terceiro colocado, Portugal, está sofrendo as dores do crescimento do tráfego causado pela expansão econômica resultante de sua união ao Mercado Comum Europeu.
O fato é que, no Brasil, não há virtualmente uma pessoa que não tenha sofrido a perda de familiares, amigos ou colegas nesse verdadeiro campo de batalha que são nossas ruas e estradas. Mais do que qualquer doença, o trânsito se transformou na causa de morte mais democratizada do País, atingindo com peso mais significativo a população mais jovem. Entre os brasileiros que morrem na infância e adolescência, acima dos cinco anos de idade, 31% são vítimas do trânsito e o percentual é ainda maior na faixa de cinco a dez anos.
A perda de vidas não tem preço pelo aspecto pessoal, mas o mesmo não é verdade quando seu significado é analisado do ponto de vista econômico. Segundo o engenheiro inglês Philip Gold, consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Brasil gasta diretamente US$ 1,5 bilhão em consequência dos acidentes de tráfego. O mesmo Gold, porém, estima que a cifra real, não demonstrada nas estatísticas, deve superar os US$ 4 bilhões. Acidentes não registrados oficialmente e despesas médicas, como resgate das vítimas, pensões, benefícios e aposentadorias estão entre elas.
Nas estimativas de Gold, um acidente sem vítimas tem um custo médio de US$ 1,4 mil para a sociedade. Se houver vítimas, este custo sobe para US$ 5,5 mil e um atropelamento custa aos bolsos dos brasileiros, direta ou indiretamente, cerca de US$ 8,4 mil. Deste custo, segundo Gold, a Previdência Social arca com 7%, o suficiente para a construção de 15 hospitais de porte médio ou 935 postos de atendimento de saúde ao ano.
A Organização Mundial de Saúde e os departamentos afins de vários países encaram hoje a violência de trânsito como uma verdadeira epidemia, infelizmente de um tipo que remédios ou vacinas não podem combater. Na verdade, a imensa maioria dos acidentes tem como causa a irresponsabilidade dos motoristas, manifestada desde a falta de atenção na manutenção de seus carros, desobediência das leis e normas de trânsito e desprezo pelo uso de equipamentos como cintos de segurança ou o capacete.





