Sinônimo de luxo
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sábado, 02 de outubro de 2010
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Quando a família de Edivaldo Acaldi se impôs ao uso de moto, o então rapaz de apenas 24 anos decidiu comprar um carro antigo - influência do pai, que levava o filho para as feiras do gênero. Para ele, tinha que ser um carro imponente e grande. Entre as opções avaliadas em São Paulo, ele escolheu um Cadillac Eldorado, ano 1974. Na época, estava com apenas 19 mil milhas, o que não dava nem 32 mil quilômetros. A boa conservação fez desnecessária qualquer restauração. Hoje, com apenas 1.600 quilômetros a mais, o modelo ainda não precisou passar por reforma alguma.
''Queria um carro bonito, diferente, e sempre fui fã de carros americanos dos anos 60 e 70, herança de meu pai'', diz Acaldi. O carro com motor ''Big Block'' norte-americano havia sido encomendado zero por um grande industrial de São Paulo que, mais tarde, se tornaria chefe de gabinete do Exército. Na ocasião, esse industrial comprou dois carros do modelo. Em 92, quando morreu, o Cadillac foi parar em uma fundação que levava seu nome. Logo depois, um colecionador da cidade o adquiriu para, em seguida, o passar, não sem muita negociação, ao seu atual proprietário.
O Cadillac Eldorado veio rodando pela Rodovia Castelo Branco até Londrina, onde participa de desfiles, encontros e semanas de trânsito. ''Não dá para andar com ele. É muito grande e gasta muito'', explica Acaldi. O Eldorado faz 2,5 quilômetros por litro na cidade e 4 na estrada, diz o proprietário. Quase R$ 1 por quilômetro rodado.
Para quem já achava o Ford Landau um grande carro, o Cadillac Eldorado é 70 centímetros maior, mesmo sendo duas portas. Ele é chamado de ''Big Block'' porque o motor, 8.2L, é maior até mesmo que o do Maverick, outro carro americano, esportivo. O quase quarentão foi o último antes da crise do petróleo nos Estados Unidos, em 74. ''Depois disso, os carros começaram a encolher, assim como os motores, até por questão de necessidade'', conta Acaldi.
Inovações
O que chamou a atenção do rapaz foram, entre outros atrativos, os detalhes dos equipamentos, alguns pouco encontrados mesmo em carros mais novos. Como a tração desse modelo está nas rodas dianteiras, sobrou espaço para acomodar três pessoas no banco da frente e com direito a cinto de segurança individual. O câmbio já era automático, localizado na coluna da direção, e o banco, equipado com regulagem elétrica.
A direção - hidráulica - tem regulagem de altura e de profundidade. Piloto automático, ar-condicionado e vidros elétricos também eram um luxo que os proprietários do modelo do Cadillac usufruiam naquela época. O cinto de segurança é retrátil e de três pontos e o carro não parte sem que os três ocupantes da frente estejam com o equipamento de segurança devidamente afivelado. Se alguém estiver sem o cinto, uma campainha dispara.
Nos bancos de trás, os cintos também são retráteis. O espelho do passageiro da frente tem iluminação automática, regalia presente atualmente só em carros de luxo, que já estava no Cadillac fabricado no início dos anos 70. ''O perfil dos consumidores do Eldorado eram pessoas bem-sucedidas, de 40 anos e sem família, porque senão optariam por um carro quatro portas. Além disso, o porta-malas não é muito grande'', explica Acaldi.
Investimento
Para ele, o investimento valeu a pena. Com R$ 14 mil, ele adquiriu o carro em 1994. ''Hoje, um carro desses é comprado por R$ 110 mil. Além de ser um hobby, é um investimento porque houve supervalorização'', salienta. Fora a questão financeira, há o laço afetivo, que já tomou conta até mesmo dos seus dois filhos - de 10 e 7 anos. ''O (filho) de dez já desfilava ajoelhado no banco da frente e dirigindo desde os 7 anos'', conta o pai, orgulhoso. Por esse motivo, apesar de várias ofertas recebidas, vender o Cadillac Eldorado está fora de cogitação. ''Eles ficaram apaixonados e não deixam vender. Penso em deixar para eles''.
Acaldi também comercializa peças para carros usados, a maioria para acabamentos, importadas ou nacionais. São reproduções que ele consegue com fornecedores para vender, principalmente, em cidade pequenas.


