‘‘A primeira vez que eu vi um, foi o da minha professora de português’’, lembra o londrinense Rosny Augusto Leite, um comerciante de 38 anos sobre a sua maior paixão, um Simca Chambord Tufão 1965.
Depois da primeira visão, Leite não esqueceu mais o Simca. O belo carro, uma coqueluche da época, tornou-se objeto de desejo. O tempo passou e Leite se especializou em restaurar carros e motos antigos. ‘‘Já refiz umas 30 motos e uns 20 carros. Eu gosto de fazer isso’’, justifica.
Foi em São Paulo, em 1992, junto com um amigo, que Leite ‘‘descobriu’’ seu Simca. ‘‘Foi por acaso. Ele estava em uma oficina encostado, todo judiado, mas era original’’. O londrinense não demorou para fechar o negócio e tratou de pagar os US$ 2.250 pedidos pelo ex-dono.
O modelo Tufão era um carro francês com estilo americano. Foi o único carro brasileiro com a traseira tipo ‘‘rabo de peixe’’Já com o carro na mão, Leite teve outro desafio: trazer o Simca para Londrina. ‘‘O cara que me vendeu falou que não ia chegar, mas mesmo assim coloquei o Simca Chambord na estrada. Saí às 5h30 da manhã e cheguei em casa só às 8h da noite. Foram 11 horas de viagem’’, relembra Leite. Na estrada, o carro ficou sem gerador e os limpadores do pára-brisa não funcionaram direito.
Na cidade, Leite andou algumas semanas com o carro e depois decidiu restaurá-lo. Na sua casa montou uma verdadeira linha de produção. Desmontou completamente o carro e foi ‘‘construindo’’ por partes. ‘‘Já reformei vários veículos, mas o Simca foi o mais difícil’’, argumenta o comerciante que já foi atrás de peças originais do carro em São Paulo, Curitiba, Joinvile, Rio de Janeiro e até em Minas Gerais. O Simca demorou cinco anos para ficar do jeito que está agora e faz apenas uma semana que começou a andar novamente.‘‘Os muitos detalhes, e por ter sido fabricado somente no Brasil, dificultou muito. Só se encontra peças em modelos já destruídos’’. O londrinense chegou a fabricar ele próprio pequenos detalhes como logotipos, botões e frisos.
Leite também foi precavido. O comerciante conta com outro Simca Chambord totalmente desmontado para ser usado em caso de acidentes ou quebra de peças. Debaixo de uma lona, está uma carroceria inteira. Dentro de sua oficina, peças sobressalentes e até originais na caixa.
O Simca é todo original, traz motor V8 de 2.800 cm3 de 90 cv de potência. É um carro de baixo torqueTodo trabalho valeu a pena. Existem poucos Simcas no Brasil, ‘‘cerca de 40’’, segundo Leite. A Simca começou a produzir veículos no País em 1959, com o ‘‘Andorinha’’ que trazia estilo europeu. Em 1965 surgiu o ‘‘Tufão’’, com ampla área envidraçada e inovações tecnológicas. ‘‘Era um carro francês com estilo americano. Foi o único carro brasileiro com a traseira tipo ‘‘rabo de peixe’’, um dos primeiros a ter carroceria monobloco e a utilizar a suspensão McPherson, comum hoje em dia’’, vangloria Leite. O Simca Chambord Tufão traz motor V8 de 2.800 cm3 que gera 90 cv de potência. Leite diz que o motor é original e que o carro atinge os 150 km/h, e faz em média 10 km com um litro de gasolina. ‘‘Ele é um carro de baixo torque. Não tem arrancada e por isso tinha apelido de ‘‘Belo Antônio’’, por possuir aparência de bonachão.’’
A produção do modelo parou em 1967, quando a Chrysler comprou a Simca. O modelo passou a ser chamado posteriormente de ‘‘Regente’’ e mais tarde originou o ‘‘Esplanada’’. O fim da série surgiu com o ínicio da produção do Dodge Dart.
Sobre a sua ‘‘obra’’, Leite finaliza: ‘‘Não tenho mais paciência para fazer o que fiz. Fiz porque gosto, não tenho pressa e busco a originalidade do carro. E outra coisa: não vendo’’.

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