Silverado deixa de ser fabricada
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de janeiro de 2002
Ed Carlos Rocha 
Depois de anunciar o fim da fabricação de caminhões no Brasil, a GM anuncia agora que vai deixar de fabricar também a camionete Silverado, que vinha sendo produzida em São José dos Campos (SP). Segundo a montadora, a justificativa são os baixos números de venda deste modelo. Quem tem Silverado e teme depreciação do veículo, não deve se preocupar. Segundo especialistas do setor, o fato do modelo ter saído de linha não deve alterar o seu preço.
Como sempre acontece quando um veículo sai de linha, alguns proprietários querem logo se desfazer do veículo para evitar prejuízos maiores no futuro. A maior oferta ajuda a depreciar o valor. Com o mercado de camionetes, de acordo com os especialistas, a situação é diferente por se tratar de um veículo que serve mais como utilitário do que como passeio.
Em Londrina, a expectativa dos lojistas é que o preço se mantenha igual. O que pode acontecer, na visão dos profissionais da área, é uma demora maior na revenda, mas nem isso pode se confirmar. É difícil prever porque com camionetes é diferente. A Silverado nunca foi muito procurada, mas de repente, sabendo que não vai mais ser produzida, pode ser que alguém que pensava em ter o veículo se apresse e parta para a compra, diz Joaquim Floriano Barbosa Júnior, vendedor da Humaitá Automóveis.
Ele usa como exemplo a camionete D20, que deixou de ser fabricada em 1996. O carro passou a ser tão procurado que hoje custa mais do que a Silverado. Uma D20 96 custa R$ 35 mil, enquanto que uma Silverado 97, que é mais moderna e mais bonita, está na faixa de R$ 30 mil, conta.
De acordo com ele, não deve haver depreciação também porque o veículo já vinha tendo desvalorização. No começo da fabricação da Silverado parece que houve alguns problemas no câmbio e isso prejudicou a imagem da camionete. Tinha muita gente que não gostava e preferia a F-250, da Ford. Isso foi fazendo a Silverado valer menos. Por isso agora não deverá haver muita diferença.
O vendedor Edivaldo Acaldi, da Lago Automóveis, de Londrina, também usa o exemplo da D20 para prever estabilidade no preço da Silverado. A D20 até hoje é uma camionete que vende bem, mesmo estando fora de linha há seis anos.
Ele também acha que pode haver uma demora um pouco maior na hora da revenda pelo menos até o mercado de assentar. Tem gente que fica com um pé atrás na hora de comprar um carro que saiu de linha, mas depois isso se estabiliza.
Em Curitiba a situação é parecida. Para Hudson de Oliveira, vendedor da Cronuscar, sempre há um pouco de desvalorização quando um carro sai de linha, mas se o carro for bem aceito não há problema. A Silverado vende bem. Pode ser que haja uma desvalorização de imediato de uns oito por cento, mas depois isso volta ao normal.
De acordo com ele, o caso da Silverado é diferente do que aconteceu recentemente com a Dakota, da Daimler-Crhysler, que deixou de ser fabricada em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Tratava-se de um veículo que ainda não tinha a confiança do público e, por isso, não tinha mercado. Ao parar a fabricação, a desconfiança aumentou e o preço caiu.


