Um veículo robusto feito para encarar as estradas rurais e fazer transportes de carga nos anos 50. Assim é uma das primeiras picapes da Ford, que o empresário do ramo metalúrgico Luiz Carlos da Silva ostenta com orgulho após seis longos anos de restauração, onde buscou-se preservar ao máximo as características de época.
Por ser importada dos Estados Unidos, Silva acredita ser difícil encontrar uma Ford F1 1951 nas mesmas condições que a dele no Brasil. ''Foi uma luta para chegarmos no que a camionete é hoje. Ver um carro de 60 anos neste estado é coisa rara, ainda mais porque ela não era produzida no Brasil nos anos 50 e para conseguir as peças originais hoje é preciso importar'', conta.
Nas cores verde e branca, a picape apresenta câmbio de três marchas, motor V8 e 60 cavalos de potência, deixando a velocidade de lado. O consumo de gasolina também é alto. ''Ela faz só três quilômetros por litro'', reclama aos risos. Pedais e retrovisor redondos conferem um estilo diferenciado ao veículo. ''O retrovisor é só no lado do motorista. Por enquanto, improvisei o de um jipe, mas o original está para chegar. Tenho carros automáticos, mas dirigi-la com todas estas diferenças é emocionante e inexplicável'', garante o empresário.
Alguns quesitos que ganham força e conferem originalidade à picape são as calotas prateadas, o pneu com faixa branca, as maçanetas em metal e o sistema elétrico em seis volts. Todos estes detalhes têm um propósito: o proprietário deseja adquirir placa preta e participar de feiras e enventos. No entanto, um quesito preocupa Silva.
''Pintei a F1 e só fui saber depois que esta pintura não era característica da época. Tenho receio que isto me impeça de conseguir as placas pretas'', afirma ele.
Outro detalhe apontado pelo empresário é a caçamba que, segundo ele, consegue transportar até 500 quilos. É feita em madeira de ipê e os estribros laterais em lata ganharam um pisante com o símbolo da Ford.
Dedicar tempo e investir dinheiro na F1 tem uma explicação. Silva conta que nos tempos de menino, quando morava no sítio, sempre via camionetes neste estilo, indo e vindo pelas estradas rurais, o que lhe despertou o desejo de ter uma. Ao mudar-se para a cidade, com melhor situação financeira, resolveu que deveria encontrar o veículo dos seus ''sonhos''. ''Sou de origem humilde e sempre me apaixonei por caminhões e camionetes antigos. Um dos meus funcionários encontrou uma F1 em Farroupilha (Rio Grande do Sul) com a documentação original e em dia. Não tive dúvida, fechei o negócio'', conta.
Além das placas pretas e das feiras, o empresário revela ainda mais dois desejos. O primeiro é que seu filho, Guilherme, de 19 anos, continue um dia cuidando do carro. O outro é comprar mais uma F1, desta vez para customizar.

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