'Senhora' moderna
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sábado, 29 de junho de 2013
Vinícius Fonseca<br> Reportagem Local 
Jataizinho - Ter um filho e ensiná-lo a apreciar o seu gosto por carros antigos. Esse parece ter sido o plano do pai do gerente administrativo Felipe Yoshiy Batalini, morador de Marialva, que hoje se diz apaixonado por antigomobilismo.
Segundo Batalini, seu pai é colecionador há anos e vez ou outra o levava para encontros. O que começou por certa imposição, tornou-se prazer. "Ele sempre me falava para ter o meu próprio carro antigo e fui atrás de um", lembra.
O automóvel encontrado foi um Chevrolet 3.100 ano 1951, na cidade de Paranavaí. E embora já tivesse visto muitos carros antigos, Batalini diz que sempre teve preferência por veículos alterados. E sua caminhonete é exatamente o que esperava. "Eu gosto de ver carro antigo, mas se fosse para ter, teria que ser nesse estilo Hot (Road)."
Vale ressaltar que a versão Chevrolet 3100 serviu de protótipo para a criação da Chevrolet Brasil, primeira picape da marca a ser produzida em solo nacional. A única diferença da versão brasileira, em seu início, era o logotipo do mapa do país na frente do veículo.
Apesar desse fato histórico, que talvez leve muitos colecionadores a conservar esse modelo de caminhonete com o máximo de originalidade, Batalini garante que ter um carro moderno e confortável, mas com "corpo de senhora", é muito mais atraente.
De fato. Pintada externamente em um amarelo vivo e na cor caramelo internamente, a picape chama a atenção mesmo de longe.
"Ela é bonita e muitos se aproximam pensando se tratar de um clássico, mas a mecânica é toda alterada e ela tem muitas coisas que carros convencionais não têm", adianta.
O gerente afirma, por exemplo, que a mecânica é a mesma da Blazer, com motor V6 à gasolina. O câmbio é automático e o teto foi levemente rebaixado para conferir ainda mais estilo ao automóvel.
A modernidade é tanta na 3100 de Batalini que chega até causar estranheza para quem olha de relance, especialmente porque faltam as maçanetas, já que o proprietário optou por controlar as portas automaticamente, algo impensável para um picape dos anos 1950.
Se originalmente a Chevrolet foi feita para o trabalho, na mão do gerente se tornou um artigo de luxo, pronto para o passeio.
Ao sentar em frente ao volante para dirigir, o motorista se depara com uma parafernália elétrica que permite o uso de aparelhos modernos. E o motivo se esconde na caçamba. Originalmente projetado para suportar 600 quilos, o deck de madeira trabalhada esconde uma aparelhagem de som protegida da chuva por um revestimento na cor amarela. Um detalhe curioso é que ao ser aberta, a caçamba revela um desenho que remete a peões junto a um porta-copos.
Conforme Batalini, a caminhonete comprada há poucos meses já chegou com toda essa "marra" para ele, pois foi algo pensado pelo proprietário anterior. Aliás, esse estilo todo é utilizado pelo rapaz para justificar o fato de ter comprado o veículo. "Gosto de carro alterado e quando a vi foi paixão à primeira vista."
Marialva tem hoje quase 32 mil habitantes e o gerente comenta que de vez em quando sai para passear com o veículo, atraindo olhares de muitos moradores.
Se antes Batalini costumava ir aos encontros mais para fazer companhia ao pai, agora ele garante que tudo mudou. "Tenho planejado ir mais aos encontros até porque tenho a minha própria caminhonete antiga. Eu até planejo ter outros carros, mas só se for caminhonete Hot, que é o que mais gosto", acrescenta.


