Seminovos valorizam mais que novos
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sábado, 17 de julho de 2004
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Não perder dinheiro é o desejo de dez em cada dez brasileiros, principalmente quando a recessão econômica e a redução da renda batem à porta. Investir em algum bem de consumo que tenha um retorno positivo, ou pelo menos não cause um prejuízo ao bolso, está em primeiro lugar na lista dos consumidores que procuram cada dia mais alternativas para manter o dinheiro ''valorizado''.
Por esses e outros motivos o carro seminovo destaca-se no mercado como uma forma de investimento. Ele não tem a depreciação do modelo zero quilômetro - que em alguns casos chega a 20% já na saída da concessionária - e, com sorte do proprietário, ainda é possível manter o preço e até dar lucro no momento da venda. Além disso, é moeda fácil na hora da troca (quem tem um usado e quer trocar por outro mais novo precisa de pouco dinheiro).
Nessa ordem de boa opção de compra e venda, os modelos usados 1.0 saem na frente. ''Os carros populares têm ótima liquidez. Quem tem um desses, tem dinheiro na mão'', afirma o economista Renato Pianowiski de Moraes. Segundo ele, não há pesquisas de mercado confirmando esses dados positivos. Mas como garante, isso nem seria preciso pois as pessoas sentem no bolso a valorização dos seminovos. Muitos consumidores, reforça, fogem do automóvel zero com medo de perder dinheiro, e com isso aumentam os negócios dos usados. ''O novo tem uma depreciação que o consumidor não consegue recuperar no futuro'', ressalta.
O modelo usado, destaca o economista, que na teoria perderia 10% do valor a cada ano de uso, pode ser considerado hoje como um ótimo investimento. A desvalorização progressiva não ocorre na prática e os modelos que custam entre R$ 9 mil e R$ 14 mil são sinônimos de dinheiro em caixa. Moraes lembra que em 1998 comprou um Ford Fiesta ano 97 por R$ 9,5 mil e o vendeu há poucos dias, sem nenhuma dificuldade, por R$ 9,1 mil. Ele considera o feito como um ganho de mercado, se levar em consideração que o modelo já havia perdido os 20% do valor ao sair da loja em 1997 e manteve o mesmo preço durante os últimos seis anos.
Na opinião do economista, o bom retorno dos seminovos populares se dá pela grande demanda. ''Estes automóveis oferecem manutenção mais baixa, consumo de combustível menor, bem como imposto e seguros mais em conta. Além disso levam a vantagem da facilidade para estacionar'', destaca.
O gerente comercial de veículos seminovos da Chevrolet Metronorte, Vilson Domingos Bassetto, confirma que o mercado de usados tem dado ótimos resultados e serve como opção aos consumidores. ''A liquidez é alta e às vezes até falta o veículo, principalmente 1.0'', frisa. A concessionária vende cerca de 150 carros por mês, e deste número, 70% são veículos populares. Bassetto aponta que um dos motivos da pequena depreciação do usado é que ele acompanha o preço do novo. Ou seja, sobe um, em sequência sobe o outro.
A mesma opinião de mercado é compartilhada pelo gerente de seminovos da Volkswagen Norpave, Nilson Benedito de Souza. Ele afirma que o aumento do carro novo não reflete de imediato nos modelos usados, mas depois de um tempo o mercado de seminovos começa a aquecer. Segundo Souza, muitas das pessoas que têm mais de R$ 20 mil para comprar um automóvel escolhem um seminovo. ''Elas deixam de comprar com esse dinheiro um carro 1.0 novo básico e pegam um usado mais potente e com alguns opcionais'', diz. Na loja são vendidos por mês cerca de 80 modelos usados.


