Devido ao índice de sinistro maior que o de carros, o seguro de moto ainda é muito caro no Brasil. Com exceção das motocicletas de grande cilindrada utilizadas para passeio, caracterizadas por um público diferenciado e de alto poder aquisitivo, as demais raramente têm seguro contra furto, acidente ou danos materiais. As superesportivas, por exemplo, pelo fato de ''voarem'' no asfalto, são consideradas de alto risco de sinistro, o que torna absurdo o valor do seu seguro. Uma Kawasaki Ninja 1100cc, ano 2005, por exemplo, avaliada em R$ 78 mil, tem um seguro anual que beira 30% de seu valor: R$ 23.144. Caso ela sofra uma queda e fique avariada, o dono dificilmente acionará a seguradora, já que precisará pagar uma franquia obrigatória fixada em R$ 12,5 mil. Por esse motivo, as esportivas que rodam pela cidade não têm seguro.
As motos pequenas, como Honda Titan e Yamaha YBR-125, que são utilizadas para o transporte diário e são as preferidas pelos motoboys e mototaxistas - devido à economia de combustível que proporcionam - também têm seguro de valor elevado. O gerente da Marajó Motos, revenda Yamaha em Londrina, Joel Garcia, estima que menos de 1% de seus clientes de motos pequenas façam seguro. ''Ele custa entre 20% e 50% do valor da moto nova, o que o torna inviável'', sentencia. A Yamaha não oferece seguro de motos zero quilômetro a seus clientes. ''Porém, os que têm motos maiores, como uma Dragstar 600cc (preço de tabela de R$ 29 mil) ou uma XT-600 (R$ 27 mil), se interessam mais por seguro. Ainda assim, apenas 5% deles contratam o serviço'', relata Garcia.
A Padilha Corretora possui uma carteira de 2 mil clientes e apenas dez motos seguradas. A empresa oferece seguro para motos acima de 250cc por três companhias: Bradesco, Sul-América e Porto Seguro. O proprietário da corretora, Luis Eduardo Camargo, tem uma moto segurada - uma BMW 650cc custom.
Como a utiliza apenas para passeio e tem 30% de bônus (pois nunca precisou utilizar o seguro), Luis Eduardo paga R$ 1,5 mil de seguro por ano. Como sua BMW custa R$ 19 mil, o seguro fica em menos de 10% do valor. Ele já teve uma Yamaha Virago 535cc de R$ 15 mil e pagava R$ 1,5 mil de seguro. ''Neste caso é viável porque é um usuário de perfil mais conservador que não se acidenta, cuida bem da moto e não a deixa estacionada em qualquer local'', observa a gerente administrativa da corretora, Sandra Padilha. Ainda assim o seguro de carro novo é bem mais em conta que o de moto - gira em torno de 5% do valor do veículo.
Outra peculiaridade do seguro de moto é que nenhum cobre danos pessoais contra terceiros (opção oferecida aos automóveis), devido aos riscos de acidente. Cobre apenas os danos materiais. Uma Harley Davidson Fat Boys 2005, avaliada en R$ 63 mil, tem uma franquia de valor proibitivo (R$ 6,3 mil - 10% do preço da moto), mas um seguro acessível, de R$ 2.350 por ano, para uma cobertura total contra incêndio, colisão e roubo. E cobre até R$ 30 mil de danos materiais contra terceiros.
Mas há uma novidade no mercado. As concessionárias Honda de todo o Brasil estão oferecendo há mais de dois anos um seguro para motos novas pela companhia Sul-América. ''Pensando em oferecer maior tranquilidade aos nossos clientes, a montadora criou um seguro para todas as faixas de preço, da Honda Bizz (100cc) à Shadow (600cc) e o valor é acessível'', informa a assessora da Blokton, Aline dos Reis.
Um exemplo é o seguro para CG-150 Titan KS (R$ 6.233), que sai por R$ 606 por ano, com franquia de R$ 500 e R$ 10 mil de cobertura para terceiros. ''Mesmo custando apenas 10% do valor da moto, a procura em Londrina tem sido pequena, porque a maioria ainda desconhece essa modalidade de seguro'', lamenta Aline.

mockup