Segurança inflada
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Marcos Martins<BR>Especial para a FOLHA 
Já faz quase 40 anos que o primeiro airbag foi instalado em um automóvel. O pioneiro veio no Oldsmobile Toronado, em 1973, mas o acessório logo saiu de cena. Voltou sete anos depois, no Classe S, da Mercedes Benz. De lá pra cá os avanços no equipamento foram enormes: a segurança aumentou, o dispositivo foi ganhando mais estudos em tecnologia e, nos últimos anos, espalhou-se por todo o interior do veículo.
A partir de 2014, o item passará a ser obrigatório em todos os carros fabricados no Brasil e há pesquisas que mostram uma redução de até 52% na gravidade de ferimentos em acidentes, quando os ocupantes contam com a proteção conjunta de cinto de segurança e airbag.
De acordo com o clínico geral e médico plantonista das equipes de emergência do Siate, Vinicius Filipak, o item consegue minimizar lesões que poderiam ser graves. "Quando você atende uma colisão frontal entre dois veículos e em um deles há airbags, os ferimentos dos passageiros deste veículo tendem a ser menores", avalia.
O equipamento tem um funcionamento bastante simples. Formado por uma bolsa de nylon que infla, elementos químicos dentro dela, que reagem para fazê-la encher, e um sensor que, em caso de colisão, aciona o dispositivo, o airbag não é disparado quando ocorre a batida, mas a partir da variação brusca de velocidade, após uma desaceleração violenta.
A partir do sinal elétrico do sensor, uma reação química faz nitrato de potássio e nitreto de sódio oxidarem, formando nitrogênio, gás que se expande em milésimos de segundo, inflando a bolsa rapidamente. Geralmente, o equipamento é envolto em talco, usado para evitar que as dobras do saco de nylon grudem e dificultem a abertura. A bolsa é cheia de furinhos e começa a desinflar logo após encher.
Bastante comuns nos veículos brasileiros, os airbags frontais impedem o contato do ocupante com o painel do carro. Atualmente, alguns modelos contam com o chamado "duplo estágio": enchem de acordo com o impacto da batida ou o tamanho do ocupante. Há também os laterais, conhecidos como "sidebags", que protegem o tronco e o lado do corpo de quem está no veículo. Alguns modelos são alongados e mais comuns nos conversíveis, que não possuem coluna central ou traseira.
Estendidos de uma coluna a outra do carro encontramos os chamados "cortina". Eles protegem contra traumas em batidas laterais e também do contato com fragmentos de vidro. Mais raro, o airbag que protege o joelho evita uma batida contra a coluna de direção. E para evitar choques entre os ocupantes, o airbag central é importante em um capotamento, impedindo o contato entre os passageiros frontais.
Inflado ao redor dos encostos para proteger a cabeça de quem está sentado atrás, alguns modelos importados contam com o airbag de vidro traseiro que, assim como o central, impede que cacos de vidro atinjam os passageiros. Em 2010, a Ford lançou os cintos infláveis traseiros. A ideia é proteger os ocupantes que se sentam no meio. Em caso de uma batida frontal ou lateral, eles inflam rapidamente, ajudando a reduzir o impacto principalmente em crianças.
"Esses diferentes modelos são importantes pois ampliaram a capacidade de proteção, principalmente tronco, pescoço e crânio. São áreas sensíveis e que ficam preservadas com a absorção do impacto", analisa Filipak.
Mesmo importante na proteção contra lesões que poderiam ser graves, o airbag pode causar ferimentos leves aos passageiros, já que não deixa de ser uma superfície contra a qual o passageiro ou motorista do veículo tem um forte impacto. São comuns pequenas queimaduras e hematomas quando o equipamento é acionado. E atenção: os ferimentos causados pelo airbag podem ser mais graves se os ocupantes não estiverem com o cinto de segurança. Sem ele, toda a força da batida é projetada contra a bolsa de ar. Portanto, mesmo que seu carro tenha o dispositivo, nunca saia sem colocar o cinto até porque, pela lei, ele continua sendo obrigatório. "São complementares e, se usados adequadamente, formam um conjunto de proteção essencial contra acidentes, que pode até salvar vidas", explica Filipak.


