Se meu TL falasse...
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domingo, 05 de fevereiro de 2012
João Fortes <br> Reportagem Local
Ter um carro novo e moderno é fundamental para o dia a dia de muita gente. Mas não para o dentista Marcelo Sugeta, nem para a artista plástica Cacilda Rezende Zamberlan. Os dois têm histórias bem diferentes, mas compartilham uma paixão chamada Volkswagen TL.
Moradora de Cambé, Cacilda tem um modelo 73 na cor verde abacate. O carro foi comprado novinho pelo pai dela - o agricultor Alcides Zamberlan - e até hoje faz parte da família. Foi com o TL que Cacilda aprendeu a dirigir e passou por algumas situações curiosas. ''Tinha uma época em que eu e uma amiga trabalhávamos como animadoras de festas infantis, vestidas de palhaço. Agora, imagine, um carro desta cor circulando por aí com dois palhaços'', diverte-se.
O tempo foi passando para o TL 73, que chegou a ser restaurado e mudou de cor - um verde mais escuro. Porém, com muitas viagens ao sítio da família, foi perdendo seu brilho. Até que há pouco mais de um ano o pai de Cacilda resolveu se desfazer do TL.
Ela não pensou duas vezes e, junto com o marido - o chef de cozinha Domingos Miato Júnior - comprou o xodó da família. ''Quando peguei, tinha até soja plantada dentro do carro'', lembra a artista plástica.
O TL passou, então, por uma nova restauração, resgatando a sua originalidade. ''A única coisa diferente são os bancos, pois o tecido original não era muito bom'', explica.
Falecido há seis meses, Alcides Zamberlan chegou a ver o carro depois da reforma e gostou tanto que quis até pegá-lo de volta, lembra Cacilda.
Hoje, o TL poderia muito bem estar guardado na garagem como artigo de colecionador, mas a artista plástica prefere mantê-lo em uso. Vai ao trabalho, ao supermercado, leva as filhas para a escola... ''No começo eu morria de vergonha, queria sempre pegar carona com alguém'', confessa Julia Zamberlan Miato, 15 anos, uma das filhas. ''Mas me acostumei e hoje minhas amigas adoram.''
E o velho TL continua rendendo histórias engraçadas. ''Um dia parei no semáforo e um senhor no carro ao lado perguntou se eu queria vendê-lo. Eu respondi que não, pois era do meu pai há muito tempo. Ele então me disse assim: 'com o seu pai eu faria negócio, porque eu dava minha esposa pelo carro'. A mulher estava junto com ele e ficou uma fera'', conta a dona do TL 73.
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